A Batalha do Apocalipse

Título: A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo

Autor: Eduardo Spohr

 

Ano de publicação: 2010

País de origem: Brasil

Editora: Verus Editora – 586

A Batalha do Apocalipse é nada menos que um best-seller nacional e só isso já fez com que ele se tornasse uma leitura obrigatória pra mim. Como assim um livro de fantasia consegue ficar na lista dos mais vendidos? E como assim o autor começou vendendo pela internet? Esse livro virou uma espécie de conto de fadas da publicação brasileira e um dos grandes impulsionadores do gênero no Brasil. Alguma dúvida de que qualquer pessoa fã de fantasia deveria ler esse livro imediatamente? Eduardo Spohr escreveu um livro literalmente épico, mesclando referências a diferentes culturas, religiões e obras literárias.

Primeiramente é necessário entender que A Batalha do Apocalipse é um épico. Mas o que é um épico, afinal, e por que é importante entender isso?  Bem, para chegar a essa respostas, vamos brincar um pouquinho de Teoria da Literatura. Um épico é uma narrativa diferente de um romance. Mas quando digo romance não estou falando de uma história de amor, e sim do termo técnico romance (equivalente ao inglês novel), que significa basicamente uma história longa em prosa dividida em capítulos em que os dramas de um herói (protagonista) humano e seus desafios igualmente humanos são narrados. Um épico, pelo contrário, conta a história de heróis nada humanos. Épico é uma forma antiga e se aproxima mais de histórias como A Ilíada e A Odisséia e de Os Lusíadas. Não que Eduardo Spohr tenha escrito um poema gigante em vários volumes, mas seu livro narra a história de um protagonista sobre-humano e o que importa nesse livro não são os dramas vividos por personagens humanos e seus dilemas entre o bem e o mal, e sim os grandes acontecimentos. Como em um bom épico, o que vale são as ações, a grandiosidade dos acontecimentos e aquele ar de acontecimento histórico.

Tranquilos aqui? Mas por que isso é importante, ai ai ai? Para que você saiba exatamente o que está esperando na hora de ler esse livro. Porque quando comecei a ler, comecei logo a buscar um personagem com o qual eu pudesse me identificar. E bem, ah, ele não estava lá. Mas não porque o livro é mal escrito, mas porque o livro se interessa por algo que está além de personagens, ele se interessa pelo correr dos acontcimentos. E o livro é FO… FANTÁSTICO! *não vamos usar palavrão no blog, né?*

A Batalha do Apocalipse, como seu subtítulo explica, narra nada menos do que a história da humanidade desde a expulsão de um grupo de anjos rebeldes do paraíso até nada menos que o fim do mundo. Ablon é um anjo renegado vivendo entre os humanos e acompanhamos com ele nada menos do que uns 8 mil anos de história humana (tá vendo porque não dá pra ficar de mi mi mi de personagem?). Os anjos não possuem livre-arbítrio como os humanos e são movidos por vontades e códigos arrebatadores, que os fazem colocar em segundo plano seus sentimentos. E é assim que o leitor segue Ablon e suas missões obcessivas.

O livro é escrito numa linguagem mais rebuscada do tipo que usa palavras como “obséquio” e “peleja”, mas não é pedante e é facilmente legível, é só uma questão de costume. A escolha por esse tipo de escrita se faz justificável pela própria proposta do livro que é narrar um épico de anjos e da história da humanidade. A impressão que temos ao ler A Batalha do Apocalipse é que estamos lendo um manuscrito antigo, um compêdido escrito por algum anjo em algum lugar do universo…

As cenas de ação são bem escritas e conseguem envolver o leitor e a pesquisa histórica realizada para escrever o volume também é digna de nota. Spohr conseguiu mesclar referências bíblicas com tradição judaica, chinesa, culturas esotéricas e faz referências a clássicos da fantasia e até a animes (ou foi só eu que achou que a Ira de Deus se parece com aquele golpe do Goku em Dragon Ball Z?). Tudo isso de forma muito criativa. E apesar de ser um livro de reviravoltas na trama, o suspense não é um grande foco. Até porque cada capítulo é dividido em partes que têm como título QUANDO FULANO FAZ ISSO o que mata o suspense do que vai acontecer, mas não tira nem um pouco nossa vontade de continuar lendo.

Tendo todas essas questões em mente, eu recomendo a todos que dêem uma conferida nesse livro assim que tiverem a chance. É o que há de melhor na literatura brasileira contemporânea com toda certeza. É uma experiência quase mítica. E fica com certeza no páreo de qualquer livro estrangeiro.

O épico de Ablon e da bruxa Shamira contra os arcanjos totalitários e cruéis no céu é uma narrativa audaciosa e que não se parece com nada que eu tenha lido em literatura nacional.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

11 Responses to “A Batalha do Apocalipse”

  1. Poxa, é tão bom ver a literatura brasileira progredindo em gêneros que antes não eram muito explorados! Minha cunhada me recomendou esse livro tem um bom tempinho já, e eu até achei pra baixar mas me recusei. Estou morrendo de vontade de ler, mas quero comprar em uma livraria independente no Brasil. Por isso vai demorar ainda pra eu colocar minhas mãos na belezinha, mas ele certamente está na minha lista de leitura, ainda mais depois da sua recomendação, Mel!

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  2. Eu também acho isso super legal, Ily! É ótimo ver livros de fantasia nacionais sendo valorizados.

    Infelizmente, tem um monte de gente que critica muito esse livro, dizendo que o Eduardo Spohr quer ser o Tolkien brasileiro, que ele é pedante, e tudo mais. Mas sinceramente? Eu acho que ele criou um livro único. Nem mesmo na literatura internacional eu já li uma coisa que se aproxime de Batalha.

    Você vai gostar. Mas como eu disse, tem que começar a ler pensando que é um épico grandioso e explicativo. Eu custei a entender isso, mas quando entendi achei que foi uma das experiências de leitura mais legais que já tive.

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  3. Oi Mel,
    Tenho esse livro na estante e estou namorando o bichinho há muito tempo! E olha que ele é até autografado… O problema é falta de tempo mesmo! As pessoas acham que as parcerias só trazem benefícios, mas por conta delas, estou sem tempo para ler outros livros que eu gostaria.
    Já vi gente falando bem e gente falando mal desse livro, mas eu sei que terei que ler para formar uma opinião!!
    Beijos
    Camis

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    • Poxa, Camila, nunca pensei nesse lado. Realmente, ficar por conta de parcerias às vezes deve ser meio complicado… Principalmente por conta das leituras acumuladas… E esse livro em especial é daquele tipo que demora a ser lido, não porque é ruim, mas porque é uma leitura devagar, com muita informação.

      Eu acho que “Batalha” tem que ler pra saber mesmo, sabe. Também vi gente falando mal e bem. Mas sinceramente? Quem falou mal não teve lá bons argumentos não. Tem gente que simplesmente arrumou uma birra com o Eduardo Spohr só porque ele conseguiu ganhar dinheiro com literatura no Brasil.

      Poxa, que bacana essa de exemplar autografado!!!!

      bjs

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  4. Ah, eu fui uma que li uma crítica negativa e de repente torci o nariz pra esse livro. rsrs
    Acho que tb pq pensei que era algum tipo de romance entre anjos e humanos, como daquela série Hallo, se não me engano, e que não chamam tanto a atenção.
    Não sei se vou ler ainda, com tanta coisa na frente, mas pelo menos já fico com uma visão mais positiva sobre ele, o que faz eu pensar com carinho nas próximas compras de livros. rsrs

    Bjos bjos

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    • Pois é, Lucy, muita gente pensa que é um romance ou algo assim e se decepciona com o livro. Mas bem, é um livro mais mitológico que não tem de jeito nenhum a proposta de ser envolvente ou cativante. Mas é muito bom.

      Você tá com uma lista gigante pra ler, controle-se, mulher! hahahahahaha Mas esse vale a pena ser considerado com carinho sim.

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