As Crônicas de Gelo e Fogo Vol.5 – A Dança dos Dragões

Título: A Dança dos Dragões
Título original: A Song of Ice and Fire: A Dance With Dragons
Autor: George R.R. Martin
Ano de publicação: 2012 (primeira publicação em 2011)
País de origem: Estados Unidos
Tradução: Marcia Blasques
Editora: Leya – 864 páginas

Os personagens do norte e do leste voltam com tudo, então vemos novamente Jon Snow, Daenerys Targaryen e Tyrion Lannister depois do fim da Guerra dos Cinco Reis. Westeros está dividida e aí pode estar a chave para aqueles que pretendem iniciar uma nova rebelião. Depois do politicamente interessante Festim dos Corvos, a série As Crônicas de Gelo e Fogo nos apresenta um quinto volume muito bom, mas menos instigante. O que não quer dizer que não valha a pena ser lido, claro.


Importante lembrar: A Dança dos Dragões se passa no mesmo período de tempo que O Festim dos Corvos, mas apresenta foco em personagens diferentes. Enquanto no volume quatro temos os personagens do sul, em A Dança dos Dragões vemos o pessoal do norte e do leste. Para entender melhor desse assunto, veja o final deste post aqui.

É no mínimo irônico pensar que quando comecei a ler O Festim dos Corvos pensei que iria odiar o livro. Isso porque meus favoritos, Jon Snow e Daenerys Targaryen, estariam no próximo volume somente. Agora que li A Dança dos Dragões posso afirmar sem dúvida que gostei muito mais do quarto volume que do quinto. Não que esse último seja ruim, mas achei que as intrigas foram muito mais interessantes no volume anterior. Elas conseguiram me segurar, me fazer morrer de curiosidade, de torcer por certos personagens e realmente estremecer a cada página. Isso não aconteceu com A Dança dos Dragões. Não me entendam mal, o livro é realmente muito bom e coisas importantes acontecem, mas o volume não me tirou do chão. Por mais que as situações fossem importantes, poucas delas realmente me moveram. E sinceramente? Tyrion Lannister já está irritante com os mesmos comentários e as mesmas piadinhas o tempo todo.

A parte mais interessante, como sempre, é o desenvolvimento de personagens. Além dos pontos de vista presentes em volumes anteriores, esse volume nos apresenta:

  • Melisandre: achei o capítulo do ponto de vista dela extremamente enriquecedor. Foi realmente revelador (em vários sentidos) entrar na mente dela por um instante e entender como ela pensa. Mais uma vez, Martin nos surpreende com seus personagens.
  • Quentyn Martell: o herdeiro de Dorne aparece pela primeira vez numa narrativa marcada pela ideia de ser um governante. Quentyn procura a todo custo cumprir as expectativas de seu pai. Esse ponto de vista traz grandes revelações e algumas tramas são finalmente desvendadas.
  • Jon Connington: outra narrativa marcada pela ideia de honra e dever, mas desta vez com uma pitada de melancolia e exílio. E outro ponto de vista que traz muitas, mas muitas revelações sobre o que de fato aconteceu na rebelião de Robert 15 anos antes.
  • Sor Barristan Selmy: quase um Eddard Stark no quesito honra (eu disse quase), esse ponto de vista é outro que mostra muito da história de Westeros e do reinado de Aerys. Com certeza foi meu favorito do livro todo.

O livro se faz valer por dois aspectos:

1) Explicações sobre a rebelião de Robert e sobre o reinado do rei Aerys. Eu não sei quanto a vocês, mas eu adoro ligar as peças do que aconteceu nessa época e entender como ela influencia o movimento dos personagens hoje. Claro que não tem nada conclusivo sobre o assunto, mas pistas são dadas e o leitor começa a fazer conexões e a especular sobre algumas coisas. Mais interessante ainda é comparar as diversas versões que essa história tem e começar a tentar traçar uma “verdade”.

2) Reviravolta de personagens. Se George Martin tem um dom é o de mexer com a cabeça do leitor. Ele cria e recria seus personagens a todo momento e quebra todas expectativas possíveis. Com Martin, você nunca sabe o que pode acontecer: bons viram maus e maus viram bons, quetões do passado que você nem imaginava simplesmente reaparecem para assombrar e seu personagem favorito pode morrer a qualquer momento (isso é bem sério). Realmente tudo pode acontecer. Mas o melhor é que tudo acontece de um jeito extremamente convincente e bem trabalhado.

A Dança dos Dragões não é meu favorito da série, mas é com certeza um volume de leitura obrigatória para os fãs do gênero. Esperem grandes reviravoltas!

Não custa nada lembrar que As Crônicas de Gelo e Fogo é uma série adulta, totalmente inapropriada para menores.

Curiosidade:

Martin escreveu capítulos do ponto de vista de Sansa Stark, Samwell Tarly, Aeron Damphair, Arianne Martell e Brienne of Tarth para A Dança dos Dragões, mas eles ficaram de fora da edição e vão ficar para o próximo volume.

A série tem mais dois volumes previstos: The Winds of Winter e A Dream of Spring. Nenhum dos dois tem previsão de lançamento.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

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