Outras Mídias: O Lago dos Cisnes

Título: O Lago dos Cisnes

Título Original: Lebedinoye ozero

Compositor: Pyotr Ilyich Tchaikovsky

Ano da composição: 1975-76

País de Origem: Rússia

Apresentação da resenha: pela Companhia Brasileira de Ballet. Espetáculo dirigido por Jorge Teixeira em 2012.

O Lago dos Cisnes é provavelmente o ballet mais famoso do mundo e tem inúmeras versões também no cinema, na música e no teatro. Trechos desse ballet são facilmente reconhecíveis pelo público em geral, mesmo que muita gente não seja capaz de identificar exatamente de onde. O ballet conta, através da dança, a história de Odette, uma princesa que é transformada em cisne pelo bruxo Rothbarth. Somente à noite Odette toma a forma humana. O único jeito de quebrar o feitiço é a promessa de amor e casamento de um jovem virgem. Quando o príncipe Seigfried a encontra uma noite no lago, os dois imediatamente se apaixonam e uma esperança nasce para Odette. Mas o destino, como em toda boa obra do Romantismo, tem seus próprios caminhos para os dois.

Quando fiquei sabendo que O Lago dos Cisnes seria apresentado em Belo Horizonte pela Companhia Brasileira de Ballet a um preço acessível, me animei para comprar os ingressos. Foi a primeira vez que assisti a um espetáculo de ballet profissional (Youtube pra quê, né, minha gente?) e foi bem legal. São mais de duas horas acompanhando uma história apenas observando passos de dança e sentindo a música. Uma experiência bem diferente da minha de leitora compulsiva (roubando a expressão da Camila rs).

Segundo alguns estudiosos, a história de O Lago dos Cisnes é baseada no folclore russo. Mas não se sabe ao certo quem realmente escreveu a trama (o folheto com a história), uma vez que as fontes são confusas e perdidas no tempo. Tanto a música quanto a coreografia sofreram modificações ao longo dos anos, mas a maioria das companhias de ballet hoje se baseiam (com algumas variações) na coreografia de Marius Petipa e Lev Ivanov de 1985. Sendo um ballet e não tendo uma trama escrita e detalhada, há bastante variação em relação ao desenvolvimento da história. Por exemplo, em algumas versões, Odile, o Cisne Negro, é a irmã gêmea maligna de Odette e em outras é a filha de Rothbart, enfeitiçada para se parecer com Odette. O final também costuma variar (às vezes Odette perdoa Siegfried, às vezes ela fica sozinha como um cisne, em outras Siegfried luta com Rothbart), mas costuma ter um tom trágico: Odette e Siegfried se matam em desespero.

Louies Rodrigues e Melissa Oliveira como príncipe e Odette

A apresentação da Companhia Brasileira de Ballet foi legal. O segundo ato foi muito emocionante e a bailarina no papel de Odette dançou maravilhosamente bem. Achei que ela foi bem expressiva e realmente conseguiu transmitir em movimentos o que a música passava. Quando ela caiu da ponta na “Variação de Odette” não atrapalhou em nada sua expressão artística e execução como um todo. O que infelizmente não pode ser dito do bailarino no papel de Siegfried. Achei que ele ficou bem ofuscado e a impressão que eu tinha é que ele não conseguia realmente expressar os sentimentos da música. Ele tinha sempre a mesma expressão e não me emocionou.

Cena do terceiro ato, quando Odile aparece para seduzir o príncipe.

O terceiro ato, infelizmente, deixou a desejar uma vez que Odile não teve uma boa apresentação. A bailarina não transmitiu a sensualidade nem aquela questão da sedução do papel e teve erros técnicos mais graves (imagino que sejam graves uma vez que pessoas que entendem pouco ou nada de balllet perceberam) como cair de uma pirueta e se desequilibrar numa finalização. O quarto ato, que volta com a traição do príncipe e com uma Odette desesperada, voltou também com a qualidade da apresentação, mas eu fiquei simplesmente revoltada no final.

Isso porque eles fizeram o final feliz. Os cisnes matam Rothbart e Odette e Siegfried ficam juntos. WTF?????????????? Parece final de novela, só faltou eles terem um bebê. Eu sei que existem outras companhias que fazem o final feliz, mas eu acho simplesmente tão fora da casinha que não consigo nem cogitar… Na minha humilde opinião a música pede um final trágico e como uma peça de Romantismo, nada mais normal que histórias impossíveis, corações partidos e lindas jovens mulheres pulando de penhascos. Desespero. Dor. Morte. Uhu! Broxei completamente com aquele final feliz.

Mas assistir um ballet profissional é uma experiência incrível que eu recomendo a todos que tiverem a oportunidade. Normalmente os preços dos ingressos são exorbitantes (tipo R$150 a meia rs), mas de vez em quando aparece uma chance mais em conta (nesse ballet mesmo paguei R$25 a meia). São duas horas de encanto mesmo que nos apresenta uma nova forma de vivenciar uma história.

Para quem gosta de ballet ou tem interesse, tem uma versão completa dessa peça no Youtube clicando aqui (e Odette/Odile é representada pela super expressiva Svetlana Zackharova nessa produção).

O final trágico apresentado pelo American Ballet Theater:

O final feliz apresentado pelo Kiev Ballet:

Off-topic: Eu só gostaria de comentar a falta de educação extrema que o público (pelo menos em Belo Horizonte, que vergonha!) tem em relação às artes performáticas. Tinha gente gritando durante o espetáculo, batendo palma em momentos inapropriados e fazendo piadinhas. Pessoas, dança e teatro requerem concentração e dedicação. Fazer esse tipo de estardalhaço atrapalha os profissionais e não é de bom tom. Não é cinema que você grita e o filme continua o mesmo. É uma falta de respeito com os artistas que estão se apresentando. Guarde seus aplausos e entusiasmo para os momentos certos e as piadinhas para depois do espetáculo.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

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