A Crônica do Matador do Rei – Dia 1: O Nome do Vento

the name of the windTítulo: O Nome do Vento
Título original: The Name of the Wind
Autor: Patrick Rothfuss
Ano de publicação: 2007
País de origem: Estados Unidos
Editora: DAW Books – 662 páginas (no Brasil publicado pela Sextante e tem 656 páginas)

O Nome do Vento é uma leitura de tirar o fôlego de qualquer um. Não porque seja um livro cheio de ação e suspense, mas porque é uma história primorosa, com um personagem incrivelmente cativante que consegue envolver o leitor numa narrativa impecável. Com certeza o melhor livro que li esse ano até agora, o primeiro volume da série A Crônica do Matador do Rei prova que para escrever fantasia séria e de qualidade não é necessário incluir cenas aleatórias de sexo e violência. Amarrar uma boa história e contá-la de forma inesquecível. Isso sim é qualidade.


Numa estalagem numa cidade pequena esquecida, o estalajeiro Kote recebe uma visita inesperada. Um cronista vem até ele para que sua história seja contada e registrada. É então que o aparente simples homem do campo Kote lembra seu passado na emaranhada história de Kvothe, um jovem extremamente habilidoso e de talento fora do comum que entrou para a história como Kvothe, the Bloodless (na tradução brasileira ficou Kvothe Sem-Sangue). Durante três dias ele conta sua vida e nesse volume conhecemos a infância e adolescência de uma figura que passa facilmente de heroi para vilão dependendo da versão contada.

A minha ansiedade para ler esse livro era simplesmente dolorida. Digo isso porque eu tinha ataques de ansiedade cada vez que lia uma resenha sobre ele. Mas foi com a recomendação da Vânia do blog Por Essas Páginas que eu finalmente me convenci de que não poderia esperar muito tempo para ler O Nome do Vento. A leitura já começou especial: ganhei o livro como presente de aniversário e na versão ebook. Foi o primeiro livro não-teórico que li na forma digital e posso dizer que adorei a experiência! Além disso, foi uma história bem nos moldes que eu gosto: insesperada, cativante e inteligente.

O que mais me chamou atenção, além do personagem Kvothe, claro, foi mesmo a ênfase que se dá na contação de uma história. O tempo todo durante a leitura de O Nome do Vento o leitor reflete sobre quais artifícios são usados para criar uma história. Kvothe é completamente ciente desses artifícios e os usa ao longo da vida para forjar as diversas chamadas que ganhou: heroi, vilão, ambicioso, trapaceiro, misterioso… O que faz uma história especial? Como criar um personagem inesquecível? O que há de verdade por trás de uma história? São essas as perguntas que O Nome do Vento não cansa de nos fazer.

A narrativa é bastante inteligente, apesar de simples, e tem um quê poético simplesmente encantador. Há uma beleza mesmo por trás da escolha das palavras, no cuidado de transportar um mundo inteiro para o papel (ou, no meu caso, para uma tela de e-reader). Eu realmente me senti sentada na estalagem ao lado de Kvothe e seu cronista, respirando poeira e sentindo o ranger da madeira da cadeira. Dava para quase acreditar que Kvothe realmente era quem estava contando a história, que ele existe em algum lugar por aí e que o cronista realmente registrou sua vida! O que é prova, claro, que Patrick Rothfuss é um escritor brilhante.

Ao contrário do que alguns andam dizendo por aí, não é necessário ter sexo e violência num livro de fantasia para que ele seja questionar e de boa qualidade. Na verdade não existe nenhum pré-requisito para que um livro de fantasia seja bom. Desde que ele seja bem trabalhado, qualquer assunto, qualquer abordagem será efetiva. O Nome do Vento conta uma história relativamente simples e que apresenta vários clichés da literatura de fantasia, sem apelar para cenas extremas de sexo e violência e consegue passar bastante seriedade. E originalidade.

Enfim, livro extremamente recomendado. Um clássico, pessoal. Sem sombra de dúvidas. É simplesmente uma experiência mágica de leitura.

A série continua com O Temor do Sábio (Wise Man’s Fear) que foi publicado nos EUA ano passado e já foi lançado também no Brasil.

Curiosidades:

  • Rothfuss conseguiu a publicação de seus livros por ter ganhado o concurso de contos “Writers of the Future” em 2002 com o conto “The Road to Levinshire”; (esperança para nós que começamos escrevendo contos!)
  • “The Road to Levinshire” é na verdade uma parte do segundo volume da série, O Temor do Sábio;
  • Rothfuss demorou 7 anos para terminar o primeiro livro e 9 anos para se formar numa faculdade;

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Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

2 Responses to “A Crônica do Matador do Rei – Dia 1: O Nome do Vento”

  1. Mairton Jr.

    Esse livro é simplesmente fantástico. A narrativa flui muito bem, existem muitos mistérios, aquela ânsia por aprender mais sobre o mundo, a Universidade, seus mitos.

    Livro excepcional. O segundo continua no mesmo nível ou melhor. Resta esperar pelo terceiro.

    Responder

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