O Hobbit

Título: O Hobbit
Título original: The Hobbit, or There and Back Again
Autor: J.R.R. Tolkien
Ano de publicação: 1937 (primeira edição).
País de origem: Reino Unido
Editora: Martins Fontes

O Hobbit é o tipo de história que começa por motivos pouco nobres e vai caminhando para o amadurecimento humano. Depois da apresentação de uma canção sobre tesouros, o mago Gandalf mostra um mapa para uma porta secreta que dá para a Montanha Solitária e sugere que o hobbit Bilbo seja usado para resgatar o tesouro. Os treze anões presentes, indignados, ridicularizam Bilbo, que, ofendido, resolve ir com eles. Primeiramente por orgulho, depois por cobiça e por pura teimosia, só mais tarde Bilbo Bolseiro vai descobrir os valores verdadeiros da coragem e do heroísmo.


Eu li O Hobbit uns bons anos atrás, depois de ter lido O Senhor dos Aneis. Isso foi um grande erro. Minha cabeça estava cheia da grandiosidade da trilogia, de seus personagens marcantes e questões profundas. Daí para mergulhar no inocente e despretencioso O Hobbit foi um balde de água fria. Eu, erroenamente, estava esperando mais daquela grandiosidade e acabei me decepcionando. Na época eu não entendi que o objetivo de O Hobbit era bem diferente. Era a criação de uma fábula sobre um hobbit. Só.

Hoje consigo encarar o livro de forma diferente e foi até por isso que eu o coloquei no Top 5 Histórias Inesquecíveis no post especial do Dia das Crianças. Finalmente entendi que o lance dessa obra é diferente e que é uma história mais voltada para o público infanto-juvenil, mas que isso não apaga de forma alguma o brilho que esse livro tem.

Eu particularmente adoro hobbits e Bilbo é um hobbit adorável no seu jeito resmungão e de mau humor. Inclusive, é interessante pensar o quanto Bilbo é um hobbit de vanguarda. Isso porque em geral hobbits são bastante apegados à tradição e raramente promovem mudanças. Bilbo foi buscar uma aventura por conta própria e não é de se admirar que seja considerado um excêntrico estranho por seu povo.

A jornada de Bilbo pode ser enquadrada dentro do gênero Bildungsroman. Esse termo meio assustador é o que usamos na crítica literária para falar de um gênero de livros em que há um grande foco no desenvolvimento psicológico e moral do protagonista que marca sua passagem da juventude para a idade adulta. A mudança interior devido aos acontecimentos pela qual o personagem passa é fundamental e um ponto importante na narrativa. Vários outros livros de fantasia podem ser lidos como bildungsroman. Temos aí Harry Potter (que vai de criança assustada a adulto consciente ao longo da série), O Nome do Vento (com a jornada super detalhada de Kvothe), as várias versões da história de O Rei Arthur e até mesmo livros que saem mais da fantasia clássica como A Idade dos Milagres.

A o ler O Hobbit, não tenham em mente grandiosidade e cenas de batalhas épicas. Pensem mais na história de Bilbo e seu amadurecimento. Divirta-se com as canções e mate a saudade de Gandalf. Vale a pena ser lido por todas as idades, desde que se entre no clima.

Esse ano esse clássico da fantasia vai virar uma trilogia nos cinemas pelas mãos de Peter Jackson! Serão ao todo três filmes e o primeiro deles, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, estreia ainda esse ano. Além da boa notícia do filme, isso é uma boa notícia pro livro. Afinal, O Hobbit não é um livro fácil de encontrar e anda sempre na beira do esgotado. Com o sucesso do filme, obviamente que reedições virão.

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Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

2 Responses to “O Hobbit”

  1. Para mim, O Hobbit é bastante marcante pois abriu a porta tanto para o universo Tolkien quanto para a fantasia. Para saboreá-lo é preciso se despir da nossa adultez, se deixar levar pela leveza e singeleza da história, só assim é possível sentir os ventos da Terra Média tocar a face.

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    • Melissa de Sá

      Verdade, Cássio. A gente tem que saber aproveitar o ar juvenil desse livro. Só assim, O Hobbit chega nos nossos corações…

      Responder

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