Especial Dia das Bruxas: O Iluminado

Olá pessoas! Acharam que esse Dia das Bruxas (ou Dia do Saci, no Brasil rs) ia passar batido? Nada disso! Resolvi falar de um dos livros mais assustadores (e incríveis!) que já li. Pra quem gosta de levar uns sustos e entrar nesse clima de terror, é simplesmente uma leitura que não pode ser deixada de lado!

Título: O Iluminado
Título original: The Shining
Autor: Stephen King
Ano de publicação: 2005 (primeira edição de 1977)
País de origem: Estados Unidos
Editora: Objetiva

Quando Jack Torrance aceita trabalhar de zelador no hotel Overlook, no Colorado, tudo que ele queria era encontrar paz interior e tentar se acertar sua família: sua esposa Wendy e seu filho de cinco anos, Danny. Mas sendo uma obra do mestre Stephen King, sabemos que “paz interior” é a última coisa que ele vai encontrar por lá. O hotel Overlook espera ansiosamente por seus novos hóspedes e juntará passado e presente num inverno macabro. Alucinações (?), portas batendo, fantasmas (?), morte e medo, muito medo, é o que aguarda o leitor em O Iluminado, um clássico do terror.

Jack acaba de perder seu emprego de professor por conta de seu temperamento explosivo. Alcoólatra e desempregado, Jack vê sua família desmoronar. Sua esposa Wendy está cada vez mais distante, assim como seu filho Danny, que age de forma estranha o tempo todo e parece ter algum tipo de poder sobrenatural. A oportunidade de trabalhar como zelador no hotel Overlook surge como uma chance para Jack colocar sua vida nos eixos e ele fica ansioso para ir para o Colorado, mesmo sabendo das coisas terríveis que aconteceram nesse hotel no inverno anterior.

É que durante toda estação, o Overlook fica fechado e vazio, somente na responsabilidade do zelador. A neve é tanta que não jeito de sair ou entrar no hotel; as estradas ficam bloqueadas. E é por isso que o antigo zelador simplesmente surtou numa crise de “febre da cabine” – loucura ocasionada por ficar trancafiado num lugar por muito tempo – e matou a esposa e as duas filhas com um machado. Mas Jack acha que aguenta. Acha.


Eu li O Iluminado duas vezes: uma na adolescência e outra quando já estava na faculdade (inclusive escrevi um trabalho sobre o livro). Eu sempre gosto de reler livros em diferentes épocas da vida, justamente para comparar minhas impressões. Da primeira vez que li, eu simplesmente morri de medo. Sério. Eu ficava olhando pela janela, ansiosa, e me recusava a ler o livro de noite. Não porque ele seja sangrento, porque não é esse tipo de terror que está em jogo, mas é porque o livro tem muitas cenas assustadoras. Stephen King vai construindo uma tensão enorme a cada palavra, de modo que o leitor realmente acompanha os personagens em suas ações. É como se realmente estivéssemos lá.

Na segunda vez que li o livro, ainda levei uns sustos, mas comecei a prestar mais atenção em como o King criava essa sensação de “estar lá”. A ênfase no psicológico dos personagens faz com que o leitor seja capaz de acompanhar cada pensamento, cada trejeito de Jack, Wendy e Danny e dessa forma possa entender o que os perturba tanto no hotel Overlook.

Duas coisas chamam a atenção no livro: 1) o hotel Overlook. É impressionante como o hotel se torna quase que um persongem (na verdade se torna sim) durante a história. Impossível não se lembrar do salão que de repente se enche de gente quando Jack entra e volta aos anos 20 do nada. Ou da mulher na banheira. Ou do relógio batendo. Ou da caldeira. O hotel faz vir à tona os maiores medos de Jack, Wendy e Danny e a forma como os três lidam com isso é muito interessante. 2) como um pai amoroso se torna um maluco. A transformação de Jack é assustadora. O modo como ele entra na insanidade por conta da influência do hotel é o que dá mais medo. Isso porque Jack é humano e a sensação que temos é: isso poderia acontecer com qualquer um.

Danny, o garoto Iluminado, é quem tem que “resolver a situação”. Mas Danny é uma criança e vê o mundo como uma criança vê (mesmo que ele veja coisas “além”). É muito interessante ver como King constrói o ponto de vista de Danny no livro, que é infantil, mas que ao mesmo tempo nos deixa ansiosos pois ele parece ser o único a entender o que está acontecendo. E é por isso que quando Jack finalmente perde a razão, ele se volta para Danny.

Uma história sensacional que dá bastante medo mas que ao mesmo tempo cria bons personagens, numa das melhores ênfases psicológicas do gênero. Mais e mais e mais que recomendado. É um dos meus favoritos do King até hoje.

O Iluminado virou filme nas mãos do famoso diretor Stanley Kubrick na década de 80 e é lembrado até hoje no que se tornou uma das cenas mais famosas do cinema: Jack Nicholson com uma machadinha destruindo a porta do banheiro griando “Hello Johnny!”. Eu ia falar da adaptação nesse post, mas resolvi guardar pro futuro (lembram daquele trabalho que falei que escrevi na faculdade? Então, foi sobre essa adaptação).

Em 1997, o próprio Stephen King (que não gostou do fime de Kubrick) escreveu e produziu a série para TV O Iluminado que é simplesmente excelente. É difícil de encontrar, mas pra quem sabe inglês e fuça nos submundos da internet, vale muuuuuuuuuuito a pena!

Curiosidades:

  • King baseou o hotel Overlook num hotel de verdade que existe no Colorado, o Stanley Hotel. Ele diz que teve um pesadelo horrível envolvendo um garotinho e que várias imagens do livro como a mulher na banheira e o assassinato na suíte foram imaginadas por ele enquanto vagava pelo hotel e tinha pesadelos à noite.
  • King anunciou que escreverá uma sequência para O Iluminado chamado Doctor’s Sleep. O livro será lançado no ano que vem e contará o que aconteceu com Danny depois da experiência no Overlook Hotel.


Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

2 Responses to “Especial Dia das Bruxas: O Iluminado”

  1. Netto Baggins

    Muito boa sua resenha, captou todas as qualidades da obra. Esse livro foi meu segundo do Stephen King (o primeiro foi Carrie) e, sinceramente, foi uma das coisas mais angustiantes que já li. Não sou de me assustar fácil, mas esse livro é perturbador.

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    • Melissa de Sá

      Netto, esse também foi meu segundo Stephen King e também li Carrie primeiro! Esse livro mexe com a gente de um jeito… realmente, ele é perturbador.

      Responder

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