Os Príncipes da Irlanda – Livro 1: A Saga de Dublin

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Título: Os Príncipes da Irlanda – A Saga de Dublin (livro 1)
Autor: Edward Rutherford
Ano de publicação: 2006
Editora: Record
Título original: The Princes of Ireland: The Dublin Saga

Saudações, leitores do Livros de Fantasia! Hoje vou sair um pouco da minha programação habitual (mangás, livros relacionados a RPG…), mesmo porque com o final do ano, ainda não consegui cumprir meus objetivos de leitura para postar resenhas no blog. Ou seja: trilogia do Vale do Vento Gélido e Dragonlance estão estacionadinhos aqui em casa, esperando minha releitura. Mas eu prometo que o desvio de assunto vai valer a pena.

O livro sobre o qual irei falar hoje é uma espécie de romance histórico. Tá,tá, eu sei, talvez a Melissa brigue comigo porque esse é um blog de livros de fantasia :). Mas, pensem bem, pessoal… quantos elementos da fantasia (ao menos a fantasia mais ocidental, influenciada pela cultura européia) clássica não são influenciados pela cultura celta e nórdica? Em Os Príncipes da Irlanda, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a primeira, seguindo de perto a história da fundação de uma das cidades mais importantes da Grã-Bretanha: Dublin (ou Dubh Linn, piscina negra em gaélico!).

Esse livro é, quase literalmente falando, uma viagem. Porque nós realmente viajamos pela Irlanda. Somos apresentados a muitos detalhes culturais e geográficos que, para mim ao menos, são fascinantes (mas para leitores mais apressados pode se tornar um pouco tedioso). Seguimos a história (fictícia) de seis famílias que se entrelaçam (os Ui Fergusa e O’Byrne, os Mac Gowan, os Harold, os Doyle, os Walsh e os Tidy), desde os tempos da Irlanda pagã e intrinsecamente celta até o surgimento do cristianismo e da submissão forçada à Inglaterra.

A cada etapa histórica temos uma narrativa diferente sobre pessoas diferentes, mas sempre ligadas às seis famílias que citei acima. Começamos com a história dos Ui Fergusa, a que mais me conquistou, para ser sincera, por remeter a tantas lendas e mitos irlandeses, como o de Cuchulainn. Acompanhamos a determinada Deirdre (lê-se dírdra!), filha do chefe de Dubh Linn, Fergus, e do príncipe Conall, sobrinho do Rei Supremo, um exímio guerreiro que quer mais é ser um druida. Já dá para imaginar que os dois se apaixonam, não? E aí temos uma narrativa tocante e com toda a característica das trágicas lendas antigas da região. Essa foi uma história que me arrancou lágrimas e que demonstra com maestria o porquê do povo irlandês ter aceitado o cristianismo com tanto fervor. Subjugados a divindades caprichosas e de certa forma cruéis, a ideia de um salvador amoroso e que não depende de sacrifícios para abençoar a terra pareceu bem-vinda ao povo – e São Patrício, o padroeiro da Irlanda, foi um dos grandes responsáveis pela concretização da religião cristã lá.

Exemplo de iluminuras do livro de Kells: os intrincados padrões celtas (e de origem pagã) nos textos cristãos…

Mas a Irlanda tinha seu cristianismo próprio, por assim dizer. Padres se casavam sem problema algum, mosteiros eram locais lindos e sagrados onde se faziam as famosas iluminuras nos textos religiosos, ainda de um jeito muito relacionado às antigas práticas pagãs. Destaque para a história da criação do famoso livro de Kells, manuscrito inteiramente ilustrado e feito por monges celtas, principal peça do cristianismo irlandês.

O jeito irlandês de entender o cristianismo, obviamente, incomodava bastante a Inglaterra. E nesse livro temos a oportunidade de acompanhar esse conflito milenar, triste e sangrento entre essas duas pátrias. Destaco a passagem que traz a figura do líder (real) Brian Boru, uma das únicas pessoas que foi capaz de unir a verdadeira colcha de retalhos que era a Irlanda. A desunião entre os vários líderes e as várias tribos, percebe-se, é o que prejudica a ilha, e podemos sentir isso muito bem. Em uma das últimas e mais importantes batalhas entre ingleses e irlandeses, a vitória foi da Irlanda – mas Brian Boru morreu, acabando com as chances de união entre as tribos e mergulhando a ilha em caos novamente.

Enfim, muitos são os episódios interessantes. A narrativa de Edward é bastante habilidosa e nos conduz com facilidade. Espere bastante descrições e detalhes em 696 páginas… para quem não gosta desse jeitão mais “Tolkien” de ser, talvez não seja o livro mais indicado. Os personagens, tanto femininos quanto masculinos, são bastante fortes e marcantes, e realmente sofri com cada um deles. Há histórias felizes e tristes, mas o saldo é um panorama belíssimo e bastante trágico desse local que me encanta desde pequena: a Irlanda. Vale a pena conhecer mais sobre esse berço de tantas lendas que conhecemos (mesmo que não saibamos que vem de lá). Ah, vale dizer que recomendo o livro para adultos. Há certas cenas não tão bacanas para o pessoal mais novo, e acredito que a narrativa possa ser um tanto arrastadinha para quem é mais jovem.

O livro tem uma continuação, O Despertar da Irlanda, que ainda não li, mas pretendo!

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