Especial Harry Potter: Harry Potter e a Ordem da Fênix

O Especial Harry Potter continua e dessa vez a resenha é da Karen Alvares. Lembrando que o Especial é uma iniciativa do blog Por Essas Páginas e tem apoio do Livros de Fantasia.

E mais uma vez temos a resenha de um desses livros mágicos que fizeram (e ainda fazem) a cabeça de crianças, adolescentes e adultos em todo mundo. Estou falando, é claro, da nossa série favorita aqui no Por Essas Páginas (e de muita gente!): Harry Potter. Após várias resenhas emocionantes do nosso especial – e já foram tantas que, assim como a J.K. Rowling desistiu de recapitular seus outros livros em A Ordem da Fênix, eu também vou me abster de recapitulá-las: apenas cliquem no link e leiam-nas! Hoje eu tenho a responsabilidade de falar do quinto volume da série, talvez um dos mais controversos, porém ainda assim muito querido e, certamente, um dos mais aguardados durante toda a nossa jornada ao lado de Harry. Vamos embarcar no Expresso de Hogwarts novamente?

Título em português: Harry Potter e a Ordem da Fênix
Título Original: Harry Potter and the Order of the Phoenix
Autor: J.K. Rowling
Ano de publicação: 2004
País de Origem: Reino Unido
Tradução: Lia Wyler
Editora: Rocco
Número de páginas: 704

Agora, porque eu comecei a resenha dizendo que A Ordem da Fênix é um volume controverso, porém muito esperado? Vou começar pelo segundo item: apesar de saber que o último livro foi muito aguardado, o quinto volume da série foi o primeiro após um longo tempo de espera. Na realidade, foi o maior tempo de espera entre volumes da série (quase 3 anos), o que gerou uma série de teorias e discussões no fandom, isso sem contar as inúmeras fanfics que pipocaram nessa época, todas recriando o quinto ano de Harry em diante. Eu mesma fiz isso e li várias histórias na mesma linha, mas isso é papo para outro post. O que importa é que tudo isso demonstra o quanto A Ordem da Fênix foi um livro aguardado e todos nós sabemos o que acontece quando se espera demais por alguma coisa: criam-se altas expectativas. Para alguns, elas foram atingidas ou até mesmo superadas. Para outros, não. Devo dizer que ao menos as minhas expectativas foram atingidas e superadas e, por tudo isso, Harry Potter e a Ordem da Fênix é um dos meus livros favoritos, apesar de eu sempre terminar de lê-lo/relê-lo com uma grande sensação de vazio na boca do estômago.

Esse livro começa um pouco diferente dos volumes anteriores; geralmente J.K. Rowling fazia uma recapitulação dos primeiros livros, a fim de deixar os novos leitores a par do que aconteceu se, por um acaso, começassem a ler, por exemplo, do terceiro volume em diante. Porém, aqui ela abandona essa tática, joga os braços para o alto e diz “leiam os outros livros, façam o favor!”. De fato, ela disse algo bem parecido com isso, lembro-me bem de ler uma entrevista a respeito na época, mas infelizmente não encontrei nenhum link para vocês. E Madame Rowling estava certíssima, não acham? Chega de relembrar o que aconteceu: Harry Potter é uma série que deve ser lida da primeira à última página, e isso quer dizer da página de capa de A Pedra Filosofal até os créditos de As Relíquias da Morte.

Em O Cálice de Fogo nos separamos de Harry em uma situação dolorosa e muito difícil: Cedrico Diggory foi assassinado por ninguém menos que Lord Voldemort que, finalmente, retornou com força total, utilizando-se de Harry para isso. O garoto escapou por um triz da morte e voltou para contar ao mundo da magia o que viu: Voldemort estava de volta. Dumbledore contou a todos a versão de Harry dos fatos, inclusive a toda comunidade bruxa, e assim os alunos retornaram às suas casas para as férias de verão.

Agora, em A Ordem da Fênix, encontramos Harry enfiado novamente na casa dos seus abomináveis tios trouxas, os Dursleys. Tudo já era bastante ruim, mas se torna ainda pior porque Harry está completamente sem notícias – as cartas de seus amigos, Rony e Hermione, e também de seu padrinho Sirius falam muito pouco – e ainda por cima ele tem vários pesadelos, incluindo as cenas do cemitério onde encontrou Voldemort, mas também um sonho de um corredor negro e escuro, no qual encontra uma porta lisa e trancada no final do mesmo. Harry está muito irritado com essa falta de informações, tão irritado de fato que, quando finalmente deixa a Rua dos Alfeneiros após um trágico incidente e reencontra os amigos, ele começa a gritar com todo mundo.

Aqui abro um parêntesis: Harry realmente grita muito nesse livro. O tempo inteiro. Aliás, meu marido gentilmente o apelidou de “Harry-CAPS-LOCK” porque Rowling utilizou bastante essa tecla quando digitou o livro. Na verdade, os campeões de utilização da tecla são Harry, Sra. Weasley e Sra. Black… Nossa, como gritam! Devo dizer que muita gente simplesmente detesta esse novo comportamento de Harry, no qual ele está sempre irritado, gritando com todo mundo, adolescente-problemático-cheio-de-hormônios, “pobre presunçoso empolado” etc… etc… etc… Lembro muito bem das discussões no nosso fórum de Harry Potter, inclusive junto com as meninas aqui do blog: Lucy, Lany, Vânia e Mi, e também da Mel, que participava do nosso fórum, todo mundo dizendo o quanto meu querido Harry estava um pé no saco, enquanto eu dizia o quanto eu gostava dessa nova posição dele. (Corrigindo, estive conversando com a Lucy e ela também acha que o Harry passou por uma crise, mas acho que ela só admitiu isso agora, após vários anos.)

Como assim?!, vocês me perguntam. Logo eu, que vivo reclamando dos personagens, como posso gostar dessa fase horrível do Harry?! Ele grita com as pessoas que gostam dele, ele reclama de tudo, ele alcança vários decibéis, ele é injusto… Bem, eu não discordo. Ele realmente comete várias injustiças, principalmente com Rony e Hermione, gritando com eles quando, na realidade, ele queria gritar com o mundo. E é muito chato quando um amigo faz isso de verdade aqui no mundo real. Mas, gente, pensem bem: a gente também não faz isso às vezes, quando estamos nervosos, magoados ou estressados? Nós não descontamos em pessoas que gostamos muito? E todo mundo tem que admitir: quando somos adolescentes nossas emoções são caldeirões em erupção. Tudo adquire dimensões assustadoras. Então existem duas coisas aqui que eu gosto muito: primeiro, Rowling colocou Harry mais ainda como um personagem real, um adolescente à beira de um colapso nervoso com tanta pressão sobre seus ombros (e sim, ele tinha vários bons motivos para ficar nervoso, muito mais do que um adolescente comum). O segundo motivo é que, aqui, Harry assume uma nova postura frente à sua vida; antes, ele parecia ser arrastado com a maré, porém, agora, ele questiona o que está acontecendo, ele fica revoltado com a droga que é a sua vida, sempre atacado e perseguido por Voldemort, bruxos das trevas, a mídia, Ministério da Magia, gente curiosa e o escambau. Ele é muito mais ativo nesse livro quanto ao que acontece na sua vida e quanto ao que já aconteceu.

E olha que muita está acontecendo no momento: o Ministério da Magia se recusa a aceitar que Voldemort voltou, de maneira que Harry e Dumbledore, que corrobora sua história, estão desacreditados no mundo bruxo e em Hogwarts. Aqui nós percebemos o quanto Ordem da Fênix é diferente e começa a se distanciar do tom ingênuo e infantil dos outros livros que o precederam. A voz desse livro é muito mais séria, mais adulta. Os problemas realmente parecem maiores e mais significativos nesse livro. O mundo mágico está sob uma ameaça real e terrível, porém, ao invés de enfrentá-la, as pessoas se escondem atrás de um falso véu de tranquilidade. Há toda uma trama política, conspiratória e complexa envolvendo o Ministério da Magia, que interfere em Hogwarts. Lembra alguma coisa, gente? O governo interferindo no sistema educacional, na mídia (o Profeta Diário apenas publica o que Fudge deseja), nas comunicações…

Agora, por que eu disse que A Ordem da Fênix é um livro controverso na opinião dos leitores e fãs da série? Bem, exatamente pelo que eu disse ali em cima. Rowling introduz esse tom mais sério, tão diferente dos outros livros, e por isso A Ordem da Fênix foi um choque para os leitores da série. Até o quarto livro, nós estávamos acostumados a nos refugiarmos atrás dos muros seguros de Hogwarts e embarcar em aventuras fantásticas e emocionantes com nossos melhores amigos. Os livros eram um refúgio para a nossa vida, nem sempre fácil. Agora os livros são cheios de tensão e toda aquela ingenuidade cheia de fantasia ficou para trás. Em A Ordem da Fênix, o mundo não é mais seguro, nem mesmo Hogwarts, que passa a ser vigiada e controlada e, principalmente, invadida pela personagem mais odiada de toda a série: Dolores Umbridge.

J. K. Rowling soube criar uma vilã tão detestável que duvido muito que consiga encontrar algum leitor da série que odeie mais algum personagem do que ela. Harry Potter tem vilões (ou nem tanto vilões) notáveis: Voldemort é o maior vilão da história, obviamente, mas temos outros, personagens mesquinhos e covardes como Pedro Pettigrew, o esnobe Lúcio Malfoy, o pentelho do Draco Malfoy – que não é bem um vilão… -, o odioso Prof. Snape – que sempre dividiu opiniões, não é, mas que afinal de contas não podemos chamar de vilão tampouco, Bellatrix Lestrange, a mulher terrível e maligna que também nos é apresentada nesse livro… Enfim… Porém, essa mulher horrível e perversa é ainda mais detestável que todo mundo junto: Umbridge é irritante do começo ao fim, porém tem picos de maldade pura disfarçada de meiguice e falsidade que são o suficiente para arrancarmos nossos cabelos e nos fazer subir pelas paredes de ódio. Ela é realmente horrível. Para começar ela é descrita como um sapo rosa tentando abocanhar uma mosca na cabeça (seu laço horroroso): Rowling sabe realmente como criar e descrever personagens. Ela nos faz querer entrar no livro e estrangular Umbridge com nossas próprias mãos. O próprio Stephen King, fã declarado de Rowling e da série, disse que Umbridge é “a maior vilã crível desde Hannibal Lecter”. Um declaração de peso em favor da habilidade de Rowling para criar personagens.

Porém, nem tudo é horrível nesse livro. Também somos apresentados a personagens maravilhosos e apaixonantes. E acho que as duas melhores adições feitas à série foram mesmo Luna Lovegood e Tonks. Tonks é uma auror e uma matamorfomaga, ou seja, ela pode mudar sua própria aparência; ela também é divertida e agradável, não de um jeito forçado, mas incrivelmente real. Quanto a Luna, confesso que, da primeira vez que li o livro, logo que me deparei com ela não entendi completamente o que ela estava fazendo ali: parecia que a personagem estava ali por acaso, sonhadora, sem nenhum propósito evidente. Eu não entendia porque Rowling dava tanto destaque a ela quando a mesma não parecia fazer muita coisa. Mas é claro que a nossa diva não dá ponto sem nó: Luna se mostra uma personagem interessantíssima, adorável, querida e chave para muitos acontecimentos nesse livro e também nos próximos. Apesar de ela claramente ser antagônica a Hermione – e, para mim, ela se torna ainda mais interessante por esse motivo – Luna torna-se importante e membro do grupo de Harry, principalmente mais no final do livro. Aliás, aqui em A Ordem da Fênix também ganham maior destaque os personagens de Neville (que nem preciso dizer que é um querido, não é, mesmo? E também muito da sua história é revelada…) e Gina, que finalmente ganha voz e mostra sua verdadeira personalidade. E vocês podem imaginar o quanto isso me deixou feliz porque eu simplesmente adoro a Ginny.

Eu poderia ficar aqui falando de cada personagem sem me cansar (mas certamente cansaria vocês). A Prof.ª McGonagall tem atitudes memoráveis no livro e a própria Sra. Weasley começa a aparecer como mais do que apenas a “mãe do Rony”. Temos grandes aparições dos gêmeos Fred e Jorge, o retorno de Lupin – tão esperado por alguns! -, a volta de Dobby, a apresentação de Monstro, que será tão importante mais tarde, há também muito do Sr. Weasley e novas e incríveis facetas de Snape, há mais sobre o passado de Tiago e Lílian, os pais de Harry, e dos marotos. Há tanta coisa acontecendo nesse livro que, enquanto o lemos, é difícil parar para respirar. Na verdade, um dos poucos personagens que realmente me decepcionam e me cansam no livro é Hagrid; ele é responsável pelo capítulo que considero o mais chato de todos os livros e por algumas atitudes que são simplesmente enervantes.

Mas o que eu mais gosto nesse livro é todo o clima conspiratório e de certa rebeldia que se mantém do início ao fim. Com a escola sob a vigilância do Ministério e de Umbridge, e sem poder participar da Ordem da Fênix – uma associação de bruxos que combatem Voldemort e seus seguidores -, os jovens formam sua própria resistência, liderada por Harry: a Armada de Dumbledore. É um grupo que se dedica a estudar Defesa Contra as Artes das Trevas, no qual Harry é o professor, uma nova faceta do personagem que muito me enche de orgulho e animação. É um alívio para toda a tensão do livro e uma oportunidade para interações entre vários personagens, principalmente entre casas. É aqui que entra também o espaço para o pouquinho de romance do livro: o relacionamento entre Harry e Cho Chang, que muitos detestaram, mas que foi totalmente coerente. E, claro, abriu precedentes para uma certa canção de Wizard Rock sobre uma tal “mangueira humana”. Mas isso também é assunto para outro post. O que importa mesmo é que se alguma coisa legal ficou do romance entre Harry e Cho foi uma das cenas mais divertidas de interação entre o nosso trio, Harry, Rony e Hermione (e quem leu sabe muito bem qual é essa cena!).

Aqui precisarei abrir uma parágrafo especial apenas para falar de Sirius Black, o padrinho de Harry. A relação entre os dois, que começara a ser desenvolvida nos dois livros passados, torna-se muito mais fortalecida e duradoura nesse livro. De fato, Sirius se torna algo muito próximo a Harry de um pai, enquanto que, para Sirius, o garoto se torna um filho e um irmão, quase como se fosse seu amigo Tiago de volta. Isso causa alguns problemas para os dois, porém não deixa de ser emocionante. Assim como Harry, o leitor também se liga muito mais ao personagem de Sirius.

Antes de fechar essa resenha enorme preciso dizer que aqui, nesse livro, finalmente temos algumas respostas. Não tantas quanto gostaríamos e, certamente, algumas delas abrem um novo leque de perguntas que somente serão respondidas mais tarde. Na contra-capa do livro há uma frase de Dumbledore que descreve um pouco das revelações desse livro (é a frase que coloquei na tag que abre o conteúdo da resenha). Aliás… Dumbledore! É nesse livro que eu passo a vê-lo bem mais do que o velhinho bondoso e excêntrico, poderoso e inalcançável. É aqui que – pelo menos eu – comecei a ficar muito brava com esse personagem, porém, ao mesmo tempo, admirada com a habilidade de Rowling para criar personagens incríveis, reais e falhos. Dumbledore começa a demonstrar um pouco de suas falhas nesse livro – e não são poucas. Há, no final, uma cena entre ele e Harry que, ao menos para fim, foi simplesmente tocante. Foi um dos momentos que mais chorei pois veio logo após acontecimentos muito dolorosos.

Em Harry Potter e a Ordem da Fênix, temos um livro de transição entre a calmaria e a turbulência, entre a criança e o adulto – e aqui eu quero dizer Harry e também o tom de narrativa da série. A segunda grande guerra está prestes a começar no mundo da magia, uma guerra que afetará toda a vida dos personagens e os rumos da história. Rowling faz essa transição de maneira inteligente e brilhante, transportando-nos para um mundo de magia frágil e prestes a entrar em colapso. Nesse livro temos a certeza de que ninguém está seguro, nem mesmo nossos personagens mais queridos. Apesar de ser um livro longo, A Ordem da Fênix jamais é um livro cansativo. A sensação que se tem ao lê-lo é de urgência: tanto quanto aos acontecimentos, que se sucedem aos turbilhões, quanto ao desejo de alcançar depressa o final do livro. E, quando você finalmente o alcança, nem o sentimento de vazio e tristeza que ele imprime no coração do leitor é suficiente para nos afastar dessa série maravilhosa. Pelo contrário, só nos faz ansiar mais e mais pelas continuações e pelo desfecho dessa história.

Sobre as edições: como esse livro eu li e tenho em duas edições, a em português, da Rocco, e a em inglês, da Bloomsbury, posso opinar sobre algumas diferenças brutais entre as duas. Em relação a imagem da capa, eu prefiro a edição brasileira (mas a imagem originalmente é da capa americana, da Scholastic). Porém, em relação à edição como um todo, essa da Bloomsbury e a da Scholastic, que eu já vi em livrarias, dá de MIL a zero na edição brasileira da Rocco. Para começar (e vocês podem observar isso na foto), o brilho do nome “Harry Potter” descasca facilmente e no meu exemplar já sumiu por completo. Eu não sei se foi consertado esse defeito, mas espero que tenha sido em novas impressões do livro. Segundo, a fonte dentro do livro é espremidinha, cansando um pouco a leitura. Terceiro: peguem qualquer uma das edições que eu falei em mãos e depois peguem a edição brasileira. A brasileira não tem nenhum capricho. A edição americana – que, afinal, é de onde eles tiraram a capa – tem desenhos em todos os capítulos, fontes diferentes etc. As duas edições em inglês são capa dura, coisa que se é feita aqui no Brasil, o preço é absurdamente alto (mas o livro custa cerca de 65 reais, o que é bastante caro, então poderia muito bem ter esse cuidado na capa). Se você for comprar o livro em inglês, chega a encontrá-lo por 30 reais, metade do valor da edição brasileira e com muito mais capricho.

harry_ordem
Meu exemplar em português foi lido tantas vezes que está super acabadinho, coitado…

 

Publicado originalmente em: http://poressaspaginas.com/resenha-especial-harry-potter-e-a-ordem-da-fenix

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

2 Responses to “Especial Harry Potter: Harry Potter e a Ordem da Fênix”

  1. Melissa de Sá

    Então *respira fundo*. Ordem da Fênix nunca me decepcionou. Eu fiquei irritada com o Harry no livro sim, mas entendi que era preciso que ele fosse assim. Harry precisava ser um herói humano. Afinal, se ele simplesmente aceitasse as merdas que aconteciam com ele de um jeito super tranquilo a série toda, ele não seria real. Essa fase de revoltada foi necessária pra que ele se tornasse mais humano e que seu sacrifício final tivesse masi significado. Eu tinha vontade de gritar com o Harry nesse livro, mas sempre entendi que ele era um adolescente hormonal e com vários motivos para estar chateado. rs

    Ordem da Fênix é um livro muito político. Quer dizer, política sempre esteve na pauta da série Harry Potter, mas é no quinto volume que temos essa discussão de forma aberta. É um livro sobre censura, sobre manipulação da mídia, sobre resistência, sobre medo, sobre preconceito e políticas de minorias. Pra mim, é uma discussão riquíssima (inclusive eu tenho pretensões de escrever um artigo acadêmico a respeito). Mas o que dá mais brilho a toda essa política é mesmo a posição de personagens como Harry, Dumbledore, Hermione, McGonagall, Snape, Sirius e Sra. Weasley. De certa forma, eles sintetizam bem algumas posições em relação a tempos politicamente instáveis. Isso pra mim é brilhante!

    A relação Harry e Sirius é doentia. Sim, é tocante, mas é também assustadora. Querendo ou não, Hermione e a Sra. Weasley foram as únicas que viram as consequências de algo assim. E não foi algo bom pro Harry.

    E sim, o capítulo do Hagrid foi o capítulo mais chato de toda a história da série. Putz. Eu tive a impressão que passei centenas de anos lendo aquele capítulo. argh

    Ah, esse foi o primeiro livro que li em inglês! Lembro que não aguentava esperar a tradução e peguei o exemplar em inglês. Foi quando descobri que sabia um idioma estrangeiro. hahahaha

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    • Karen Alvares

      Ah, Mel, pois é, mas todo mundo queria gritar com o Harry. Eu queria abraçá-lo porque, cacete, não era fácil o que ele estava passando. Qualquer um explodiria. Foi completamente brilhante para o desenvolvimento dele como personagem e, sim, como você disse, deixou-o muito mais humano.

      Esse livro foi o segundo que li em inglês, mas o primeiro que li e entendi. Eu já tinha lido o 4.º em inglês, mas deixei passar muito nesse leitura. Na Ordem eu já estava bem melhor e consegui captar muita coisa. Mas foi só no sexto livro que eu consegui captar o humor.

      A J.K. é brilhante por demonstrar dessa maneira e, como você disse, através dos personagens todas as facetas políticas da história. Não tem jeito: a gente aplaude de pé.

      (E foi nesse livro que eu passei a ter raiva do Dumbledore. Mas o Hagrid ainda foi o personagem mais broxante…)

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