Especial Harry Potter: Harry Potter e as Relíquias da Morte

O blog voltou e volta também o Especial Harry Potter que vai relembrar todos os volumes da nossa série de livros e filme favorita! O Especial é uma parceria do Livros de Fantasia com a iniciativa do blog Por Essas Páginas. Essa resenha foi feita pela Vânia.

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Título em português: Harry Potter e as Relíquias da Morte
Título Original: Harry Potter and the Deathly Hallows
Autor: J.K. Rowling
Ano de publicação: 2007
País de Origem: Reino Unido
Tradução: Lia Wyler
Editora: Rocco – 592 páginas

E aqui estamos nós, no último volume da série que tanto nos encantou, tanto nos ensinou. O lançamento de Relíquias da Morte em Julho de 2007 foi uma das experiências mais emocionantes e inesquecíveis que vivi, não somente por ser o ápice dessa aventura que me acompanhou por anos, mas porque eu não fiz isso sozinha. Ler é um ato bastante solitário mas com Relíquias eu tive a chance de dividir isso com alguns poucos amigos no fórum do qual participávamos, postando reações ininteligíveis assim que conseguíamos nos desgrudar do livro por mais de cinco minutos. Ainda hoje, seis anos depois, quando releio consigo me lembrar do que senti ao ler aquelas palavras pela primeira vez, os momentos em que me desesperei, que ri, que chorei, que precisei parar a leitura pra me acalmar e lavar meu rosto porque as lágrimas não permitiam o discernimento das palavras naquelas páginas… Ah, que montanha-russa foi Relíquias da Morte!

Se há algo que os dois últimos volumes nos mostraram foi que ninguém estava a salvo; Harry perdeu seu padrinho e figura paterna em Ordem da Fênix, e seu grande mentor morreu no final de Enigma do Príncipe, deixando-o realmente sozinho em sua jornada contra o Lord das Trevas. Sim, Ron e Hermione estavam com ele praticamente o tempo todo, mas o sentimento de solidão, aquela sensação de que ele era um homem marcado acompanha Harry durante o livro inteiro. E sendo assim, é natural que ele acabe perdendo bons aliados, o que nos deixa com lágrimas nos olhos e um aperto no peito. Mas em meio à insegurança, aos ataques, às mortes, há também esperança, e Harry, Ron e Hermione acabam encontrando ajuda nos lugares e nas horas mais inesperadas.

Mas enquanto elfos domésticos e patronos desconhecidos acabam guiando Harry para onde ele precisa ir, é em Alvo Dumbledore – e em seus segredos supostamente revelados – que ele encontra seu maior obstáculo. Em O Príncipe Mestiço, Dumbledore conta à Harry que Voldemort assegurou sua imortalidade através de horcruxes – pedaços de sua alma preservados dentro de objetos magicamente protegidos – e que somente após a destruição dessas horcruxes é que o próprio Voldemort poderia ser aniquilado. Em meio à essa busca desenfreada, Harry, Ron e Hermione também tentam ligar os pontos em pistas que Dumbledore possivelmente deixou para eles. Eu senti como se fosse uma tentativa desesperada de se agarrar à qualquer ponta de esperança de que eles não estão sozinhos, de que Dumbledore ainda é o guia deles mesmo após sua morte. E é esse desespero, essa sensação de “tudo ou nada,” e essa presença constante do pensamento, da ideia de Dumbledore, que acaba os levando até as Relíquias da Morte.

Are you referring to the sign of the Deathly Hallows?

Não vou entrar em detalhes sobre o que são as Relíquias ou qual o seu propósito, mas preciso dizer que ao ver a primeira referência a elas nesse livro, eu gritei e pulei do sofá. Foi mais um daqueles momentos em que eu estava determinada a parar naquele capítulo para fazer algo dispensável como comer ou ir ao banheiro, mas que ao ler a frase meu cérebro enviou um recado ao meu corpo dizendo para ele sossegar. Bem aquela coisa de “Keep calm and Harry Potter,” e minhas necessidades fisiológicas ficaram em segundo plano. Somente depois do término do livro, de todas as lágrimas terem secado foi que eu me dei conta de como as Relíquias sempre estiveram presentes na história, e que em um momento ou outro no decorrer dos livros nós as vimos. Simplesmente genial!

De uma maneira geral, Relíquias da Morte fecha bem com a história de Harry Potter e aodh_uk_adult mesmo tempo nos deixa querendo mais. Todas as perguntas principais são respondidas, inclusive a questão mais discutida no fandom durante o tempo de espera entre um livro e outro: Severus Snape é do bem ou do mal? Ele é leal a Dumbledore ou a Voldemort? Ou ele é seu próprio homem, com suas próprias convicções? De uma forma ou de outra, o capítulo dedicado a ele é um dos mais emocionantes do livro. Aliás, do capítulo 31 pra frente Relíquias é uma montanha-russa de emoções tão grande que eu me peguei sem ter mais lágrimas pra chorar em uma das cenas pivotais (mas as lágrimas voltaram na última página).

E para quem achava que com Harry, Ron e Hermione longe de Hogwarts a história giraria apenas em torno deles, estava muito errado. Certamente há cenas em que são somente os três, mas eles conseguem manter um vínculo com a comunidade bruxa mesmo estando longe de tudo e de todos, e dessa forma nós também nos mantemos a par do que Voldemort e seus Comensais estão aprontando lá fora. Talvez esse seja um pequeno spoiler, mas não consigo deixar de mencionar que a aparição de personagens – especialmente um que não víamos desde o terceiro livro – em um certo momento do livro me deixou extremamente emocionada. Foi maravilhoso ver as referências às obras anteriores, seja com personagens, objetos ou linhas da história que foram apenas mencionadas lá em Pedra Filosofal, quando nós pensávamos que Harry Potter seria apenas mais uma série em nossa coleção.

Eu li Relíquias da Morte em 26 horas, com pausa para dormir. Às vezes eu olho para trás e penso que deveria ter me controlado melhor, encontrado um ritmo de leitura menos frenético; talvez eu tivesse aproveitado mais, prolongado a experiência, passado mais tempo na minha última vez com meus melhores amigos literários em uma nova aventura. Mas eu sei que não conseguiria, mesmo se eu quisesse. O medo de spoilers era grande, mas o motivo principal do ritmo impaciente é simplesmente que Harry e eu somos muito semelhantes em um aspecto: quando queremos saber algo, nós temos que ir até o fim, temos que descobrir a verdade, temos que entender os detalhes. Por isso eu sei que não poderia ter sido de nenhuma outra maneira.

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Foi com lágrimas escorrendo pelo meu rosto que eu fechei Harry Potter e as Relíquias da Morte pela primeira vez, e uma sensação de satisfação misturada com cansaço e um enorme vazio tomou conta de mim. Era o último capítulo da história que para mim havia começado apenas alguns anos antes, mas que acompanhou uma geração inteira em seu crescimento e amadurecimento. A pergunta que se fazia presente desde o anúncio do lançamento de Relíquias se calou nas semanas após a leitura; havia muito a ser discutido, muitos detalhes a serem analisados, muitas experiências a serem divididas. Mas e agora?

As páginas foram todas lidas, a história estava completa, os aplausos foram altos e a cortina se fechou. E agora? Harry Potter não me ensinou a gostar de ler – isso eu aprendi ainda criança – mas me moldou como leitora, me fez descobrir pessoas maravilhosas, e a realidade de que não teríamos mais nenhuma nova história para nos deliciar bateu forte. E agora? Agora é diferente. Agora nós podemos olhar para trás e nos sentir felizes por termos participado dessa história. Agora nós podemos incentivar novos leitores a conhecer o fantástico mundo criado por J.K. Rowling e nos deliciar com suas expressões ao passarem pelo Beco Diagonal pela primeira vez, e responder às suas perguntas sobre relíquias e horcruxes. Agora nós podemos embarcar anualmente no Hogwarts Express e reviver as aventuras de nossos melhores amigos sabendo como tudo termina, ganhando uma nova perspectiva, relembrando momentos que por alguma razão nossa memória deixou de lado, descobrindo detalhes que antes haviam passado batido.

Então agora a história continua. Porque parte dela é feita por nós.

“As histórias que mais amamos vivem conosco para sempre. Então quando você voltar pelas páginas ou pelas telas, Hogwarts sempre estará lá para recebê-lo em casa” – J.K. Rowling

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Resenha publicada originalmente em: http://poressaspaginas.com/resenha-especial-harry-potter-e-as-reliquias-da-morte

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

7 Responses to “Especial Harry Potter: Harry Potter e as Relíquias da Morte”

  1. Sem palavras com essa resenha, Ily. Eu fiquei tão emocionada que só consegui mesmo comentar agora. Pra mim seria muito difícil resnehar esse livro, mas achei que você fez isso de forma incrível. 🙂 Eu também me lembro de cada momento de discussão com vocês no fórum sobre cada capítulo do livro, cada acontecimento… São coisas que eu nunca vou esquecer.

    Esse é o meu favorito da série justamente por causa desse mundo de referências que você falou. É como se todos os volumes anteriores estivessem dentro de Deathly Hallows. Não tem condição, foi um final realmente perfeito.

    🙂

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