Especial Harry Potter: J.K. Rowling

E mais uma vez o Livros de Fantasia está com o Por Esas Páginas no Especial Harry Potter. O texto é da Vânia.

Parabéns pra você, nessa data querida…

jk_rowling

Boa tarde galera! Hoje é um dia muito especial pois além de ser o aniversário do melhor amigo literário de muita gente por aqui, é também o dia em que sua criadora J.K. Rowling assopra as velinhas. E para encerrar com chave de ouro o nosso super especial Harry Potter, coube a mim a grande responsabilidade de falar de J.K. Rowling. Confesso que durante muito tempo fiquei agoniada quando pensava em fazer esse post; a incumbência de falar sobre uma das autoras preferidas de muita gente, sobre essa contadora de histórias cuja simples menção de seu nome traz um sorriso ao meu rosto, era muito assustadora. Mas ao ler algo que a querida Nívia falou perante à descoberta da autoria de The Cuckoo’s Calling, eu acabei relaxando um pouco; ela disse que agora, com um segundo livro pós-Harry Potter no mercado há uma divisão concreta entre fãs do bruxinho e fãs de J.K. Rowling. E eu, meus amigos, sou fã ferrenha de J.K. Rowling.

JKRowlingJoanne Rowling (o Kathleen apareceu na hora de ser publicada, emprestado de sua avó) nasceu nesse dia em 1965 em Yate, South Gloucestershire, Inglaterra. A primeira coisa que ela se lembra de ter escrito em sua vida foi aos 6 anos de idade: Coelho, a história sobre um coelho chamado Coelho. J.K. é bem fechada com relação à sua vida pessoal, por isso eu não vou entrar em detalhes aqui. Vale dizer que ela tem uma irmã mais nova – Dianne, que divide a dedicatória de Harry Potter e a Pedra Filosofal com sua mãe e sobrinha – que foi a primeira a ouvir a história de Harry. Anne, a mãe das duas faleceu em 1990 vítima de esclerose múltipla; Jo disse em uma entrevista que seu maior arrependimento foi nunca ter contado a ela sobre Harry. Quando Anne faleceu, Jo estava escrevendo a história há seis meses, e disse que essa tragédia pessoal influenciou muito a maneira como ela passou a lidar com a morte em sua escrita a partir dali, tanto que essa é uma sombra que está sempre presente em todos os seus livros. O relacionamento com seu pai era tumultuado, e hoje eles não se falam.

Poucos meses após a morte de sua mãe, Jo se mudou para Portugal e se casou com seu jk_notesprimeiro marido, com quem teve uma filha: Jessica. O casamento terminou em divórcio, mas Jo não se arrepende: ela alega que mesmo se pudesse não voltaria atrás e faria algo diferente, porque o mundo é um lugar melhor por ter a Jessica nele. Após o término do seu casamento, ela se mudou para Edinburgo com Jessica, e passou a contar com o auxílio do governo para criar sua filha. Jo sempre comenta sobre essa época, que ela estava “tão pobre quanto é possível ficar no Reino Unido moderno, sem morar na rua.” Foi nessa época também que ela terminou de escrever Harry Potter e a Pedra Filosofal. Ao contrário do que reza a lenda, Jo não dava remédio para Jessica dormir pra ter mais tempo de escrever, não deixava de comprar comida para a filha pra comprar papel e nem escrevia em guardanapos ou recibos velhos. Tudo lenda, gente! O que é verdade, no entanto, é que a ideia para Harry Potter surgiu em uma viagem de trem de Manchester para Londres; o trem estava atrasado, e a ideia simplesmente veio na forma de “garoto não sabe que é bruxo, vai para uma escola de magia.” Segundo ela, durante essa viagem, ela foi formando alguns detalhes do enredo mas não tinha uma caneta para anotar suas ideias, então tentou guardar tudo na memória. Mas novamente, ao contrário do que a maioria acredita, a Jo não sabia a história inteira ali também não; ela levou cinco anos para fazer um esboço de cada um dos livros e escrever o primeiro volume.

It is impossible to live without failing at something, unless you live so cautiously that you might as well not have lived at all – in which case, you fail by default.

O que pouca gente sabe é que apesar de sempre ter o conhecimento de que queria ser escritora, Jo seguiu os conselhos de seus pais e se formou na Universidade de Exeter. Ela queria estudar Literatura Inglesa, mas seus pais achavam que isso não a levaria a nada (e sendo uma estudante de Literatura posso dizer que acredito que meus pais compartilhem dos sentimentos de Mr. e Mrs. Rowling), e juntos eles chegaram a um acordo: ela estudaria Línguas Modernas. Mas nossa Jo é decidida, e em suas próprias palavras “abandonei Alemão e me dirigi ao corredor dos Clássicos” sem contar aos seus pais. Após se formar, ela trabalhou por um tempo na Anistia Internacional, lugar onde ela diz que começou a ter pesadelos sobre as histórias que ouvia, mas que também foi onde aprendeu “mais sobre a bondade humana (…) do que eu sabia antes.”

jo_1998Em Junho de 1997 Harry Potter e a Pedra Filosofal foi publicado pela Bloomsbury, e foi então que ela adotou o nome pelo qual a conhecemos hoje: a editora achava que um nome feminino não atraíria jovens leitores do sexo oposto (deixo isso aqui para aqueles que acreditam que não existe mais discriminação baseada em sexo. Há!). O livro ganhou alguns prêmios e foi bem recebido. Apesar de sua vida ter melhorado após a publicação de Harry Potter no Reino Unido (Jo estava então trabalhando como professora durante meio período) a guinada radical veio quando os direitos do livro nos Estados Unidos foram adquiridos pela Scholastic num leilão por $105,000, e o resto é história!

1997 – Harry Potter e a Pedra Filosofal
1998 – Harry Potter e a Câmara Secreta
1999 – Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
2000 – Harry Potter e o Cálice de Fogo
2001 – Animais Fantásticos e Onde Habitam//Quadribol Através dos Séculos
2003 – Harry Potter e a Ordem da Fênix
2005 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe
2007 – Harry Potter e as Relíquias da Morte
2008 – Os Contos de Beedle, o Bardo
2012 – Morte Súbita
2013 – The Cuckoo’s Calling (como Robert Galbraith)

jk_rowling_clinicAlgo bem legal sobre a J.K. Rowling é seu envolvimento com caridades. Em 2010, quando ela completou 45 anos – a idade que sua mãe tinha quando faleceu – Jo doou 10 milhões de Libras para que a Universidade de Edinburgo abrisse uma clínica no nome de sua mãe. Ela é fundadora da Lumos, uma instituição que tem como objetivo melhorar a vida de crianças desfavorecidas na Europa. Atualmente, a Lumos conta com projetos na Bulgária, República Tcheca, Montenegro, Moldávia e Ucrânia. Em 2007, Jo leiloou uma edição especial de Os Contos de Beedle, o Bardo e arrecadou 1,95 milhões de Libras para a Lumos. Hoje Beedle está disponível para compra em ebook através do Pottermore, e todo o dinheiro arrecadado também irá diretamente para a Lumos. Ela apoiou a Sociedade de Esclerose Múltipla da Escócia por muito tempo, mas retirou seu apoio devido a discussões políticas dentro da Sociedade, e foi então que decidiu habilitar a construção da clínica no nome de sua mãe. Ela também contribui com a Anistia Internacional, Gingerbread, e Volant.

Em 2008, ela foi convidada para fazer o discurso de formatura na Universidade de Harvard, aqui em Cambridge, Massachusetts. Harvard fica a meia hora de onde eu moro, e 2008 foi quando voltei pro Brasil após ter morado aqui por dois anos. Eu só consegui assistir ao vídeo ano passado, após ter tido a honra de estar no mesmo lugar que ela durante um evento de Morte Súbita; é um discurso maravilhoso e emocionante no qual ela fala sobre a importância de fracassos e da imaginação. É um dos vídeos mais lindos que já vi dela, e vale a pena assistir, sendo fã ou não.

jk_olimpiadasNas Olimpíadas de Londres em 2012, Jo leu uma pequena passagem de Peter Pan enquanto um grande Voldemort inflável aparecia no estádio. Ao falar sobre o assunto, ela disse que ficou muito ansiosa para o evento, mas que não poderia ter recusado. Ela também disse que Harry Potter já está tão inserido na cultura popular e existem tantas referências que ela já se acostumou com isso, mas que ao ver um Voldemort gigante na frente dela, ela teve um daqueles momentos surreais em que se deu conta de que aquilo era dela, havia saído de sua imaginação. Good old J.K.!

We do not need magic to change the world, we carry all the power we need inside ourselves already: we have the power to imagine better.

JK-RowlingApós o término de Harry Potter, Jo escreveu seu primeiro romance para adultos: Morte Súbita, que recebeu críticas variadas. A maioria das críticas negativas que eu li pareciam reclamar da falta de varinhas mágicas e super vilões e não vir de fãs de Rowling, mas sim da imprensa que parece ter uma enorme vontade de que ela fracasse. Oh well. Confesso que Morte Súbita não é para todo leitor: é um livro difícil de ler e difícil de descer e embora eu tenha adorado, a Lany aqui do blog não curtiu muito (mas reconheceu que é muito bem escrito). Em Abril desse ano um certo livro chamado The Cuckoo’s Calling, autoria de Robert Galbraith, chegou às estantes de livrarias no Reino Unido e Estados Unidos. Esse mês nós descobrimos que Galbraith é ninguém mais ninguém menos que nossa querida Jo, e as vendas subiram instantaneamente. Jo admitiu ter usado o pseudônimo e ter curtido seu breve anonimato. Dando esperanças para muitos autores iniciantes, The Cuckoo’s Calling foi recusado por pelo menos uma editora (que eu tenha ficado sabendo), até que Jo o enviou para o editor com o qual trabalhou em Morte Súbita. Mas pra quem acha que ela usou seu nome, na na ni na não! Ela enviou como Robert Galbraith, e seu editor levou um susto quando viu que era ela por não ter reconhecido sua voz na escrita. Claro que depois que a gente descobre que o livro é dela fica mais fácil, e durante minha leitura eu peguei várias coisinhas que me fizeram sorrir inadvertidamente porque holy crap, é um livro inédito da J.K. Rowling!

j-k-rowling-imageSeja como ela mesma, Robert Galbraith ou qualquer outro pseudônimo que ela resolva usar no futuro, uma coisa é certa: Joanne é uma contadora de histórias nata, uma excelente escritora, um ser humano iluminado. O que quer que ela escreva vai fazer sucesso não porque ela é freaking J.K. Rowling, mas porque ela coloca o coração em tudo que faz, porque assim como seus melhores personagens, ela dá a cara a tapa pelas coisas nas quais acredita, porque ela trabalha duro e faz acontecer. E é por isso que eu a defendo com unhas e dentes de qualquer pessoa que venha falar um “a” contra ela, é por isso que eu não tenho vergonha de dizer que danem-se os clássicos, ela é minha autora preferida, que sou fã de Harry Potter sim, mas sou fã de J.K. Rowling também e acima de tudo. Porque essa pessoa maravilhosa que assina livros tão rapidamente e apesar de uma fila gigante faz questão de olhar nos olhos de cada pessoa ali presente, que quando você trava a língua tentando agradecê-la por tudo que ela fez e ainda faz – seja pela literatura, pelas caridades ou por você mesmo em um nível pessoal – ela te encara com aqueles olhos azuis tão doces e estampados com humildade e gratidão e agradece a você… essa pessoa é uma inspiração!

jk_rowling_pedra_filosofal

Originalmente postado em: http://poressaspaginas.com/meu-autor-de-cabeceira-j-k-rowling

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

One Response to “Especial Harry Potter: J.K. Rowling”

  1. Melissa de Sá

    Nossa, to chorando muito aqui. Esse post foi muito, muito emocionante. Jo Rowling é realmente uma pessoa única, com um talento único para escrever. Pra mim, não importa, sou fã dela com todas as forças. HP foi uma parte muito importante da minha vida, mas sou fã dela. Desejo com todas as forças sucesso sempre pra essa mulher incrível.

    Responder

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