Especial Sexta-feira 13: A Coisa

Hoje é sexta-feira 13, dia do terror e do horror. Por conta disso, decidi fazer uma resenha especial sobre um dos livros que mais me assustou na vida: A Coisa, do mestre Stephen King.

Título em português: A Coisa
Título Original: It
Autor: Stephen King
Ano de publicação: 2006 (primeira publicação de 1986)
País de Origem: Estados Unidos
Tradução: Louisa Ibañez
Editora: Objetiva – 896 páginas

A Coisa acompanha a vida de um grupo de sete amigos em dois anos específicos: 1958 e 1985. Por duas vezes, eles irão confrontar seus maiores medos e demônios e enfrentar a Coisa. Um livro que explora como funciona nossos piores medos, o poder da memória, traumas da infância e, principalmente, o mal que se esconde por trás de uma cidadezinha pacata no interior. Esse é um daqueles que vai provavelmente te deixar sem dormir.

Li A Coisa durante a adolescência e continuo afirmando até hoje que foi uma das coisas mais assustadoras que já li. Isso por dois motivos: 1) a Coisa do título frequentemente toma forma de palhaços e eu MORRO de medo deles e 2) é uma história sobre o poder do medo e pior, sobre como seu maior medo é materializado. Eu ficava aterrorizada, mas não conseguia parar de ler. Queria saber o que ia acontecer com aqueles sete amigos, queria saber se eles iam mesmo conseguir derrotar a Coisa. Então eu lia e morria de medo.

Quem me deu o livro pra ler foi meu pai. Uma edição super antiga (já caindo aos pedaços na época que li) de uma série chamada Mestres do Horror e da Fantasia que era vendida nas bancas de revista no final da década de 80. A Coisa vinha em dois volumes, cada um deles uma tora de umas 500 páginas (a letra era consideravelmente maior que a da edição da Objetiva). Eu me lembro de ter problemas pra segurar um livro daquele tamanho e me lembro também de nunca ler o livro à noite. rs


O livro alterna entre os anos 1958 e 1985 de modo que o leitor vai desvendando as duas histórias simultaneamente. Nesses dois anos, crianças desaparecem em Derry (uma cidade pequena no interior do Maine) e casos bizarros de violência aparecem na cidade. Ao que parece, alguma coisa assolava medo em Derry a cada trinta anos…  Bill, Richie, Eddie, Stan, Beverly, Mike e Ben, quando crianças, começam a desvendar o mistério. Quando adultos, voltam mais uma vez a Derry cumprindo a promessa que fizeram três décadas antes de lutar contra aquele mal terrível caso ele ressurgisse.

Achei a capa da edição que li quando adolescente. Que nostalgia…

O leitor se envolve nos mistérios de Derry, mas também com os personagens incríveis que esse livro apresenta. Bill e sua coragem atrevida, Eddie e sua fragilidade tão palpável, Beverly e seu sofrimento diário: por muitas vezes durante a leitura, quase senti que eles estavam a meu lado. O Clube dos Perdedores (o nome que esses amigos se dão) é comovente e nostálgico. Fala da infância, daquele sentimento de fazer amigos que te entendem, te acolhem quando ninguém mais o faz. De longe pra mim, eles são os melhores personagens de A Coisa.

Não vou contar mais da história, mas como um bom Stephen King vocês podem esperar sustos, cenas de horror grotescas (tem uma do menino, a geladeira e as lesmas que até hoje eu não esqueço. Argh!), perseguições, crianças amadurecendo, adultos perdendo a sanidade e aquela boa e velha dose de psicologia de personagem que se estende por páginas e páginas. Afinal, não é a toa que essa tora tem o tamanho que tem.

Eu diria que esse é um dos melhores livros de terror do King (digam o que quiser, pra mim A Torre Negra não é 100% terror), ao lado de O Iluminado. Virou até filme em 1990 (era uma minissérie que depois virou um único DVD) e é até interessante, mas pra mim não chega a empolgar tanto quanto o livro porque o que ganha o livro pra mim é a intensidade psicológica. O melhor de A Coisa não é aquele monte de cenas de horror, mas sim o psicológico dos personagens que nos faz entrar dentro da trama e sentir todo aquele medo.

Medo. Essa é a palavra-chave desse livro e seu grande tema central. De que temos mais medo? Que forma material esse medo tomaria se estivéssemos frente a frente com ele?

Por isso eu digo: leiam, mas leiam de luz acesa.


Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

4 Responses to “Especial Sexta-feira 13: A Coisa”

  1. Liége Báccaro Toledo

    Ai, Melissa, eu tenho uma curiosidade imensa de ler esse livro (para minha infelicidade vi partes do filme quando eu era pequena e ele me tocou o terror profundamente!!), mas morro de medo!! Eu já tive sonhos com esse maldito palhaço, hahaha! Também sempre quis ler O Iluminado, porque apesar de me borrar com o filme, eu assisti ele mais velha e achei a história bem legal (eu imagino que o livro seja melhor). MAS O MEDO, tanto MEDO!

    Pelo menos eu me consolo porque ~ainda~ não tive sonhos com renas ou monstros de cimento depois de ler o livro de vocês… talvez eu esteja ficando mais corajosa! 😀

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    • Melissa de Sá

      Liége,

      Fico feliz que eu e a Karen tenhamos te incentivado a ler mais coisas de terror. hahahaha Sabe, eu também tinha muito medo e evitava, até que resolvi traçar uma linha do terror, sabe. Tipo eu leio histórias de terror que lidam com o sobrenatural e tudo mais. Evito (e evito MESMO) ler histórias que abordem serial killers (eu sou a pessoa que não assiste Silêncio dos Inocentes nem Dexter nem a pau…) ou um horror que pegue pesado em questões de mutilação e talz. Toda vez que fico interessada num livro de terror, saio procurando resenhas na internet ou pergunto pessoas que costumam ler livros terror (vide Karen rs). Assim, eu tenho uma ideia do que vou encontrar ali e não ultrapasso meus limites.

      Eu acho que se você quiser se aventurar no mundo Stephen King, é uma boa começar com “O Iluminado”. O livro dá medo, mas não mexe tanto com nossa imaginação louca como “A coisa”. O King tem vários livros de terror que não lidam com imagens horríveis como “Duma Key” (que dá medo, mas por puro psicológico) e “Sob a Redoma” (que tem violência física, mas nada horripilante). Tem resenha desses dois aqui no blog.

      Quem não sonha com aquele palhaço maldito? Affe…

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  2. Eu sonhei com o Pennywise essa noite… e o pior, sonhei q ele estava no meu quarto. Abri os olhos umas 500 vezes para ter certeza de que era apenas um pesadelo… vai entender… rs

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    • Melissa de Sá

      Ai Flávia, eu tenho pânico do Pennywise. Se eu tivesse um sonho desses… nussa, eu não só ia abrir os olhos umas 500 vezes como pegar um objeto pesado mais próximo só pra me proteger! Oh palhaço maldito, viu…

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