Outras Mídias: 20 anos de Arquivo X (The X-Files)

Título: Arquivo X
Título Original: The X-Files
Criação: Chris Carter
País de Origem: Estados Unidos
Ano: 1993-2002
Duração: 202 episódios ao longo de 9 temporadas

Arquivo X é, sem dúvida, uma série que marcou época; me refiro à série com os agentes Mulder e Scully. Fox Mulder e Dana Scully investigam atividades paranormais. Velhos clichês integram a trama: teoria da conspiração, a tensão amorosa entre os dois agentes, dois pontos de vista em oposição. Obviamente em 1993, esses motes não eram tão clichês assim. O fato é que mesmo atualmente a série pode despertar interesse em quem gosta de enredos sobre mistério, paranormalidade e UFO (ou OVNI).

Os agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully, protagonizam a trama. Mulder é formado em psicologia e se revela um brilhante investigador. É bem verdade que muitas vezes, sua perspicácia conta com um “empurrãozinho da mão do roteirista”, ou seja, o poder em fazer associações rápidas, algumas vezes até mesmo imediatas (quase paranormais), e encontrar pistas tão logo se depara com a cena de um crime. Um importante fio para o desenvolvimento dos episódios é o desaparecimento de Samantha Mulder, a irmã de Fox. Desde pequeno, Mulder se sente responsável pelo sumiço da irmã. Enquanto agente do FBI, ele se entrega a uma busca incessante do paradeiro de Samantha e, assim, procura provas para comprovar a existência de vida extraterrestre. A priori, ele acredita religiosamente em tudo o que pode levá-lo a desvendar o envolvimento de autoridades políticas e militares com vida extraterrestre, bem como atividades paranormais que muitas vezes beneficiam o governo.


Na via oposta à crença de Mulder, a agente Dana Scully se revela inicialmente uma legítima cética. Formada em física, com doutorado em medicina, o “passa tempo” de Scully, perdoem-me o humor negro, é fazer autópsia para desvendar o mistério em questão com o respaldo da ciência. Com certa generosidade, eu poderia dizer que o ceticismo de Scully em alguns casos pode atormentar o telespectador. De outra maneira, seria possível afirmar que sua perspectiva cética se revela como o outro extremo de uma crença incabível. Mesmo vendo um determinado fenômeno paranormal, Scully cartesianamente duvida. Em certa medida sua postura se revela plausível, se considerarmos a respeitabilidade que a ciência atingiu a partir da epistemologia do começo do século XX. Dessa forma, Scully poderia ser interpretada como uma caricatura da ciência. Um ponto de vista que ditou e, muitas vezes, ainda prescreve o que merece crédito e respeito no campo do conhecimento.

Mulder e Scully.

Apesar do soundtrack, frequentemente ao longo das duas primeiras temporadas, provocar ânsia de vômito e mal-estar (não o mal-estar que se refere Freud, mas aquele bem conhecido quando nos atrevemos a comer aquele pastel na vendinha da esquina), a série ainda sobrevive ao tempo. As personagens, algumas vezes esquecidas de um desenvolvimento psicológico, aos poucos nos cativam. Mas o mais interessante são os motes da abertura da série: “eu quero acreditar”, “o governo nega ter conhecimento” e, meu favorito, “a verdade está lá fora”. Qual a filosofia, Arquivo X se entrega a desvendar perguntas e mesmo hoje, 20 anos depois, ainda nos perguntamos sobre a verdade.


 

5 Responses to “Outras Mídias: 20 anos de Arquivo X (The X-Files)”

  1. Liége Báccaro Toledo

    Olá, Anderson! Puxa, eu amava Arquivo X, assistia lá com meus 10 anos de idade. Minha frase favorita também sempre foi “A verdade está lá fora”. Eu me lembro que era uma verdadeira viciada e até hoje tenho revistas com matérias sobre a série e um poster do Mulder e da Scully. Bons tempos.

    Muito bom o texto, aliás!

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  2. Melissa de Sá

    Eu gosto bastante da série, apesar de achar que o Mulder é o pior agente de campo que já existiu: “Freeze! Federal Agent!” e o bandido sai correndo antes que ele possa fazer qualquer coisa. Fail total. Mas gosto bastante da Scully e das tramas que eles se envolvem. Alguns episódios são mesmo incríveis e outros são assustadores até.

    O texto ficou ótimo. De verdade. Não é só porque você é meu marido não. 🙂

    Responder

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