5 coisas que você precisa saber antes de assistir Doctor Who

Hoje é The Day of the Doctor, e por mais que eu quisesse publicar aqui a resenha de Em Chamas (siiiiiiiim, tem resenha de Em Chamas!), não consegui deixar passar essa data tão importante. Não é sempre que uma série faz 50 anos de existência e continua angariando fãs loucos por aí.

Está a fim de embarcar na Tardis e viajar no tempo numa cabine telefônica (é maior dentro) ao lado de um cara de terno e gravata borboleta? Então venha conferir nosso novo Top 5 Especial Doctor Who!

Se você tem sorte ou pelo menos um amigo nerd, sua timeline no Facebook ou no Twitter hoje brilhou com a comemoração de 50 anos de Doctor Who. Até mesmo o Google está comemorando (sim, por isso os 11 moços estranhos). Essa é a série de ficção científica mais famosa de todos os tempos e influenciou séries clássicas do gênero como Arquivo X (The X Files).

A série tem duas fases: a clássica, que foi de 1963 a 1989, e o revival da BBC que começou em 2005. O legal é que as duas fases contém a mesma história, ou seja, a série de 2005 continua a antiga, não é um remake. 11 atores já interpretaram o Doutor ao longo dos anos, o que não faz diferença, pois o personagem é o mesmo. É que quando gravemente ferido, o Doutor regenera, assumindo um novo corpo e uma nova personalidade. Estranho? Ah, você ainda não viu mesmo Doctor Who.

1. Efeitos especiais são secundários. Totalmente secundários.

Nós vivemos num mundo onde o paradigma de efeitos especiais está em filmes como Avatar e Transformers. Hollywood nos deixou acostumados a cenas de ação hiper realistas, monstros que parecem saltar da tela e sequências de luta impressionantes. Mas você não vai encontrar nada disso em Doctor Who.

Pelo contrário, os efeitos da série são toscos mas tão toscos que quando começamos a assistir parece uma piada. É tudo old school: os monstros são pessoas numa roupa com zíper atrás, dá pra ver o corte da edição quando a Tardis aparece voando e as explosão são basicamente fogos de artifício.

Os inimigos do doutor. Aparentemente coisas patéticas que não assustam, mas têm um roteiro…

Mas nada disso importa. Inclusive, isso é marca registrada da série. O que vale é mesmo um roteiro criativo, personagens cativantes e tiradas sensacionais. Não leve seus parâmetros Círculo de Fogo para assistir Doctor Who. Você vai perceber que efeitos especiais são coisas completamente sem importância.

2. Doctor Who não é uma série que pode ser apreciada em apenas um episódio.

Doctor Who não é uma série pela qual você se apaixona à  primeira vista. Não é uma paixão fulminante de um relance, uma piscadinha no bar. Ao contrário, é um amor construído ao longo de episódios e episódios. E então, em algum momento na quarta temporada, você está chorando em posição fetal como um bebê.

O primeiro episódio de Doctor Who é uma experiência muito estranha. Não só pelos efeitos especiais toscos, mas pelo estilo de atuação britânica super caricata e aquele roteiro maluco com manequins correndo atrás das pessoas. Bizarro.

Por isso existe a regra de ouro: só vale dizer que você não gostou de Doctor Who depois de assistir pelo menos a primeira temporada inteira. E ela não é grande, pois como a maioria das séries britânicas, tem pouco mais que dez episódios em média.

3. Humor britânico.

Escorregar na casca de banana? Piadas pseudo-eróticas e pseudo-engraçadas estilo Adam Sandler? Não. Você não vai encontrar nada disso em Doctor Who. Como britânicos que são, têm aquele quê de humor negro e aquela pitada de auto-crítica. Além disso, a maioria das piadas vai ser por conta de trocadilhos, referências históricas e o bom e velho sarcasmo.

“Eu só vim pela dança”. Passando mal de rir. Juro.

Mais britânico que isso, só se eles tomassem chá. Pera. Eles tomam.

4. Se acha que algum episódio não faz sentido, então é porque você não assistiu episódios suficientes.

Tudo tem sua hora e seu lugar em Doctor Who. Você acha o Doutor um cara narcisista, egoísta e sacana? Você não entendeu patavina da Guerra do Tempo? Ainda não sacou porque diabos os Daleks ficam toda hora arrumando uma brecha no espaço-tempo e aparecendo? Você não faz ideia do que estou falando?

Porque você não assistiu episódios suficientes. Com o passar das temporadas, o espectador começa a falar Whovian e entender seriamente a dinâmica das viagens no tempo, os paradoxos, as síncopes e, principalmente, a personalidade estranha do Doutor.

“Eu amo minha chave de fenda sônica”. Você vai entender depois.

É preciso começar com calma. Tudo se ajeita. No final da quarta temporada, você realmente vai conseguir entender o que o Décimo Doutor está falando. Na metade do tempo.

5. Espere muita correria.

Perseguição de carros? Cenas de luta elaboradas? Gente pulando de prédios? Esqueça tudo isso. Em Doctor Who, em situação de perigo, os personagens fazem o que qualquer ser humano/alienígena em são consciência faria: correm!

Então espere ver gente correndo. E correndo. E correndo. Correndo tanto que no final do episódio você está até ofegante.

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Enfim, sai do seu lugar comum e comece a assistir essa série que é um marco na história da ficção científica. Quem gosta de uma boa história não vai se arrepender.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

9 Responses to “5 coisas que você precisa saber antes de assistir Doctor Who”

  1. É, talvez eu precise assistir mais episódios. Assisti uns 5 e não vi graça alguma. Pelo contrário, achei muito chato, quase dormi. O problema é esse negócio de você ter que se obrigar a ver o negócio porque um dia, talvez, ele fique legal e você comece a perceber isso.
    Quer dizer, se você é um escritor e manda um livro pra uma editora, precisa conquistar de cara o editor, né? Logo nos primeiros capítulos. É como a coisa funciona. Mas nessa série todo mundo diz que não é assim.

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    • Melissa de Sá

      Kakazinha, eu entendo totalmente isso que você quer dizer. Também acho que uma série deveria nos fisgar logo de cara ou pelo menos já mostrar pra que veio, assim você pode decidir se quer ou não continuar assistindo logo de cara.

      Vou ser bem sincera: não gosto do Nono Doutor e não gosto da Rose, o que me faz praticamente odiar a primeira temporada. Só comecei a gostar de Doctor Who no episódio “The Empty Child”, que inclusive é um episódio meio de terror (eu fiquei com medinho). E gostei porque apareceu um personagem novo. Logo depois, a temporada acaba de um jeito interessante e na segunda temos o Décimo Doutor que é foda. A chata da Rose continua um tempo, mas nem tudo é perfeito nessa vida. Às vezes temos que conviver com personagens que detestamos.

      Uma coisa que não gosto é a atuação caricata tanto do Nono Doutor quanto da Rose. Isso sem contar a atuação péssima da mãe da Rose (gente, quer coisa mais patética que aquela atriz? E ela gritando quando o alienígena vai atacá-la? É de chorar de vergonha alheia!).

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      • Eu Também odeio a Rose e o Nono, acho eles chatos, mais o Decimo ja é mais “louco” porem meu preferido sempre vai ser o decimo primeiro, talvez batalhe um tanto com o quarto

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      • Comecei a assistir a primeira temporada (9º doutor) uma vez e parei pq achei o primeiro episódio ridículo. Dei outra chance ontem e hj estou na segunda temporada. Pesquisando a série vim parar no seu site e tenho q concordar: eu até gostei do 9º doutor, mas a Rose é insuportável! Gente, todas as tramas que envolvem ela, a família, o Mickey, são cansativas. Sem falar q ela toma várias atitudes burras q dão uma preguiça… Não vejo a hora dela ser trocada. Estou adorando o 10º Doutor.

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    • Eu discordo totalmente, é simples se você gosta do genero si-fi provalvelmente irá amar DW mais se não curte, já fica dificil, e a serie conquista em 2 a 3 episodios de novo se gosta do genero

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  2. Luiz Zamboni

    poxa, sempre que alguém nâo curte a série os fãs as “acusam” pelo motivos errados.
    Eu foi bastante nesse de “você precisa ver mais”, comum entre os fãs.
    Mas nâo foram os efeitos ou a falta de ação em si que, mas a veracidade do roteiro que foi ficando cada vez mais difícil de engulir com 30 anos..rs
    Uma coisa que depois passou a me incomodar muito é que as melhores oportunidades para acabar com o Dr são disperdiçadas por seus inimigos que preferem o prender e conversar com ele, onde este sempre através da razão consegue enganar-los e tal. Po legal , o exemplo de resolver as coisas através do diálogo mas chega um ponto, de tão frequente que perde a verossimilhança.
    Outra coisa muito incômoda é o sci-fi , eu sou fã de Strar-Trek, a série classica que também usa da exploração de mundos diferentes como álibe para tocar em diversos assuntos atualmente pertinentes, e mesmo sendo uma série antiga ela faz isso de uma maneira menos forçada talvez alguns episódios exagerem, mas são a excessão em StarTrek não a regra com em Dr Who.
    Tem pontos bem interessantes, como a inclusividade de personagens, o resgate histórico, para o público juvenil é bem legal, no entanto como eu disse, com meus 30 anos ficou complicado.

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    • Luiz, acho que o lance com Doctor Who é não levar tudo tão a sério. A série é uma grande paródia às convenções da SF e esses clichés aparecem mesmo à exaustão, muitas vezes propositalmente. 🙂

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