Outras Mídias: Em Chamas

Título: Em Chamas

Título Original: Catching Fire

Direção: Francis Lawrence

País de Origem: Estados Unidos

Ano: 2013

Duração: 2h56min

E o segundo volume da série Jogos Vorazes é adaptado para o cinema deixando os fãs diante de um filme impecável. Em alguns aspectos, a película chega a empolgar mais que o livro, numa dose certeira de ação e drama. Em Chamas segura o espectador na tensão por quase três horas, explorando as consequências da decisão de Katniss Everdeen de desafiar a Capital e viver. Tenso. Tenso. Tenso. Palavras que definem o filme.

A mudança de diretor e roteirista deixou alguns fãs bem apreensivos, inclusive eu. Afinal, em time que está ganhando não se mexe. Depois que Gary Gross, com a bênção de Suzanne Collins, fez de Jogos Vorazes um filme excelente, a perspectiva de ter outras pessoas na direção e no roteiro foi apavorante. É o que eu chamo de Síndrome da Adaptação de Harry Potter(SAHP). Ver nossos livros favoritos virando piada no cinema é uma experiência dura e deixa traumas por toda a vida.


A questão é que Em Chamas saiu melhor que a encomenda. Saiu melhor que o primeiro filme. Saiu melhor até que o próprio livro em alguns aspectos (como por exemplo, o início, que no livro é bem arrastado mas que no filme ficou dinâmico e sensível). A direção fez escolhas acertadas de tomada de câmera, o roteiro novamente não caiu na falácia de sair explicando tudo com falas longas e sim apostar em imagens. E nem preciso entrar no comentário de atuação: Jennifer Lawrence mais uma vez impressionou encarnando Katniss Everdeen de uma forma visceral; Josh Hutcherson, mesmo aparecendo pouco, conseguiu mais uma vez passar aquela quase pureza de Peeta; e Elizabeth Banks como Effie nos levou às lágrimas. Só isso, gente.

É sempre difícil fazer resenhas de coisas que gostamos muito, mas vou tentar me organizar melhor por aqui, ressaltando três pontos do filme: 1) a adaptação em si, 2) a caracterização dos personagens e 3) a dinâmica de tudo.

Em relação à adaptação, Em Chamas está aí pra provar que seguir o livro à risca não é necessariamente a única forma de fazer um bom filme. Inclusive, que pode ser uma bom inserir cenas novas, mudar a ordem dos acontecimentos. Em nenhum momento essas escolhas no filme me incomodaram, pelo contrário, as achei incrivelmente acertadas. Uma delas foi Gale ter apanhado diretamente na hora em que os Pacificadores chegam no Distrito 12. Essa mudança foi interessante, pois mostra o desespero de Gale ao entrar na rebelião, sem estar necessariamente preparado. Um ato impensado que casa bem com as escolhas que o personagem vai fazer daqui pra frente. Outra mudança interessante foi o fato de Heavensbee não ter mostrado o relógio com o símbolo do tordo para Katniss. Num filme, acho que teria ficado bastante óbvio para espectador que ele seria um possível aliado. Isso porque não é difícil perceber no filme que a arena é circular e o símbolo do torno ficaria facilmente ligado a uma ideia de rebelião visto que Heavensbee se diferencia muito do resto da Capital, principalmente no jeito de se vestir. A única mudança que senti falta mesmo foi da história de Haymitch nunca ser contada. Tudo bem o que o roteiro encontrou outro jeito de falar dos campos de força (com Wires e Betee), mas eu gosto particularmente do Haymitch.

A turnê dos vitoriosos, que no livro é bem arrastada, no filme conseguiu ser dinâmica e dramática.

A caracterização dos personagens mais uma vez foi impecável. Uma coisa que gosto muito em filmes, é quando um personagem é mais “mostrado” do que “falado”. Ou seja, quando imagens, pequenos gestos, dispensam um monte de gente falando o tempo todo. Em Chamas faz isso muito bem: ninguém precisou dizer que Katniss ficou traumatizada com os Jogos, nem a própria. Isso fica claro quando ela acerta um pássaro com uma flecha e revê o momento em que assassinou uma pessoa  com a mesma arma. Pronto. Numa cena de poucos segundos o assunto foi encerrado e o impacto no espectador, feito. A mesma coisa para se dizer do relacionamento de Katniss com outros personagens.

Com Peeta, tudo é feito através das cenas em que ela, acordando de pesadelos, acaba preferindo a companhia de Peeta, reconhecendo que ele é o único que partilhou aquela experiência dos Jogos com ela e sobreviveu. Os dois estão invariavelmente ligados para sempre por essa vivência. O amadurecimento de Prim e o modo com que Katniss lida com isso também é expresso imageticamente. Ela vê Prim, decidida, cuidar de Gale e mais tarde as duas partilham um abraço longo. Mais uma vez, ninguém precisa dizer nada, a imagem é clara: Katniss reconhece que sua irmã também foi para sempre afetada pelos Jogos. Finalmente, até com Haymitch toda a dinâmica de um relacionamento se resume a uma cena: Katniss, depois de saber que vai voltar para a arena, senta para beber com o antigo mentor. Isso é uma mostra não somente do status do relacionamento deles mas também da proximidade dos dois, de como eles são parecidos. No próximo filme, isso vai ser mais crucial. Filme é imagem! Harry Potter, você fez tudo errado no cinema. * sofrendo de SAHP *

O filme é dramático, mas sem ser brega.

A dinâmica do filme foi excelente e algo responsável por isso foi justamente mostrar o que está fora do campo de visão/entendimento de Katniss. Nos livros, o leitor só sabe o que Katniss sabe, o que muitas vezes limita a narrativa. Gostei da decisão de deixar outros pontos de vista entrarem nos filmes: temos acesso à vida privada do presidente Snow (as cenas dele com a neta foram ótimas) e às maquinações de Heavensbee. Intercaladas com o ponto de vista da própria Katniss, isso cria um ritmo mais interessante para o filme: não é só aquele sofrimento sem fim, aquela sensação de injustiça eterna, sempre presente nos livros, mas a de um plano político maior. Fica mais tenso assim.

Enfim, Em Chamas é excelente. Se você ainda não viu, corra agora para o cinema e veja. E não esqueça de aparecer aqui para comentar.



style=”display:inline-block;width:468px;height:15px”
data-ad-client=”ca-pub-0096662229889258″
data-ad-slot=”5759362461″>

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

9 Responses to “Outras Mídias: Em Chamas”

  1. Oi, Mel.
    Eu fiquei encantada com esse filme e concordo com tudo o que você falou! Seria bobagem dar minha opinião aqui, porque seria uma repetição do seu post!! hehehehe
    A única coisa que me tirou do sério foi aquela música bizarra do CPM22. Nada contra a banda, mas achei aquela inclusão ridícula!! A música não tem nada a ver com a história e muito menos com o clima todo. Poxa!! Eu estava lá no cinema, vendo as letrinhas passarem na tela e tentando me recuperar depois de tanta emoção… E aí começa aquela música completamente no sense!!
    Ridículo aquilo!!
    Beijos
    Camis

    Responder
    • Melissa de Sá

      Camila,
      A música do CPM22 tá tocando no cinema??????????? Ainda bem que não tocou na sala de cinema que eu fui. Tocou a música original nos créditos.
      Achei a música ridícula, não tem nada a ver como filme, como você disse. Até porque o filme termina de um jeito tenso e tudo mais, e a música é um hardocre nada a ver.
      Qual o objetivo de trocar a música dos créditos? Sério mesmo, no que isso ajuda a promover o filme?
      bjs

      Responder
  2. Esse filme é excelente e me tirou o fôlego. Em Chamas foi meu livro favorito da trilogia, e realmente fiquei muito feliz com o resultado do filme, que ficou até mesmo melhor que o livro em alguns aspectos. Também senti um pouco de falta da história do Haymitch, porque gosto muito dele. Mas não posso reclamar que ele foi mal caracterizado ou que as aparições dele não foram bem escolhidas e atuadas.

    A questão do tordo no relógio do Heavensbee… achei que foi muito bom eles terem tirado, ou senão a coisa toda ficaria muito óbvia logo de cara.

    As atuações estão muito boas, a Jennifer Lawrence é incrível, que moça boa, meu Deus do céu! O jeito como ela passou o desespero da Katniss foi tocante. As cenas entre ela e o Peeta também ficaram muito bonitas. Sei lá, não tem o que falar desse filme a não ser elogios.

    Responder
    • Melissa de Sá

      Jennifer Lawrence é amor! Não consigo pensar em alguém pra fazer Katniss que não fosse ela.

      Não consigo reclamar de nada nesse filme, fica até parecendo que estou babando ovo de graça. rs

      Responder
  3. Mel!!!
    Esse filme é perfeito! Eu quase pari uma criança enquanto assistia! Amei!
    Adorei você falando da Síndrome de Adaptação de Harry Potter…hahahha

    =D

    Responder
  4. Gostei muito do livro e do filme, seguiu muito bem o filme só achei que eles erraram cortando a explicação que tem no livro sobre o distrito 13. Assisti com uma amiga e ela ficou confusa quanto a isso.
    O filme está impressionante, tiveram umas 3 ou 4 vezes que todos no cinema bateram palmas, Hahahaha.
    Muito aprovado

    Responder
    • Melissa de Sá

      É, a explicação do distrito 13 ficou muito sutil. Mas acho que eles não deram muita ênfase nisso porque tem mais dois filmes ainda e os dois dão muita atenção à questão do distrito 13.
      O filme é incrível. Nas duas sessões que fui, o pessoal também bateu palma.

      Responder
  5. Concordo. Gostei bastante. Foi depois desse filme que fiquei com vontade de ler a trilogia, o que acabei fazendo essa semana. Acho que Jogos Vorazes e Em Chamas são dois filmes bem fiéis aos livros. Algumas das melhores adaptações que eu já vi de livros que viraram filmes.

    Responder

Leave a Reply

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>