Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses

Título: Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses

Autora: Antonio Luiz M. C. Costa

Ano de Publicação: 2011

País de Origem: Brasil

Editora: Draco – 472 páginas

É meu primeiro post do ano super atrasada e é sobre um dos melhores livros que li em 2013. Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses é uma trama de fantasia que se passa na lendária Atlântida, uma terra com vários povos e várias culturas, todas descritas de uma maneira incrível por Antonio Luiz M. C. Costa. O leitor é imerso nesse novo mundo ao acompanhar Sisu, um guerreiro idealista que quer ser mais do que apenas seu físico e Tiakat, uma xamã de poderes fora do comum. Amigos de infância, amantes e parceiros para o que der e vier, Sistu e Tiakat vão se deparar com o que há de mais poderoso em Atlântida quando decidem sair de sua cidadezinha natal. Afinal, os deuses estão jogando, e os dois jovens parecem ser os peões…

Li esse livros nas minhas férias de meio do ano. Como vocês sabem estou no mestrado e não tenho tempo pra ler quase nada, mas me dei um trato no fim do primeiro semestre e escolhi um livro pra ler e ele foi Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses, um livro que eu já andava namorando no site da Draco há algum tempo. Levei o livro comigo quando fui pra casa da minha sogra no interior e eu simplesmente não conseguia deixá-lo de lado. Não, o livro não é um page-turner no sentido de ação e tudo mais, mas o mundo de Atlântida é tão envolvente que simplesmente queremos saber mais sobre ele. Queremos continuar lendo porque Sistu e Tiakat estão envolvidos em situações tão estranhas, porque eles estão no meio de grandes acontecimentos sem razão aparente. E quando descobrimos, ah, quando descobrimos, a explicação é surpreendente.

Como assim esse é o primeiro livro do autor? Gente, é difícil acreditar. Atlântida deve ter povoado na mente de Antonio Luiz por anos, talvez décadas, pois o grau de detalhe dessa terra é nível Tolkien. Sério. Atlântida é um império com vários povos e culturas diferentes, cada uma delas com uma religião, e tudo é incrivelmente explicado (mas não se preocupe, não é chato. Tudo é feito de uma forma dosada e interessante). Os costumes de cada povo vão sendo introduzidos ao longo dos capítulos e o leitor vai conhecendo como Atlântida funciona e quais são seus paradigmas, muitos deles diferentes da nossa cultura.

Além de Atlântida, há outros impérios no universo do autor, e alguns deles também nos são apresentados, como por exemplo o império Mugal, lugar de origem da personagem Tjurmyen, uma mestra de artes e magia (que se torna bem importante na segunda metade do livro). A história de Atlântida como império é apresentada assim como a língua falada por lá, com detalhe especial aos pronomes de tratamento (eu adorei esse detalhe!). Existe inclusive um wiki sobre Atlântida que o autor fez, com cada detalhe desse mundo, desde as armas até a magia. Clique aqui para acessar.

Mas qualquer leitor sabe que um mundo de fantasia não funciona se os e a trama personagens não convencerem. E Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses não decepciona.

Sistu e Tiakat são ótimos protagonistas: eles têm seus medos, defeitos, seus momentos de fazer besteira. No entanto, eles têm um paradigma bem diferente do nosso, são de outra cultura, então já aviso aos leitores que eles não têm aqueles problemas da “galera ocidental” tipo a gente. Eles são mais tranquilos, acho, com menos mi mi mi. Isso não os faz menos reais, pois dentro do universo em que habitam isso faz todo sentido. Existe um triângulo amoroso no livro, envolvendo a personagem Tjurmyen que mencionei. Mas de novo não é um triângulo mi mi mi ao qual estamos acostumados. Afinal, Tiakat é bissexual, então vocês podem ter uma ideia do que vai acontecer. Mas de novo eu digo que isso não é forçado pois faz sentido dentro do mundo criado pelo autor. Além disso, todos os personagens possuem histórias de fundo e elas são trabalhadas de uma forma interessante.

A trama possui um alto teor político e eu gostei bastante. Prefiro histórias com esse teor do que aquelas que mostram guerras com motivos simplistas. Não vou ficar comentando aqui porque seria dar spoiler, mas digamos que a situação de Atlântida não é tão legal quanto dá a parecer no início. Existem situações sociais complicadas, exclusão, preconceito. E aí tudo vira um barril de pólvora em certo momento, principalmente quando Sistu aparece com uma certa descoberta histórica…

Ah sim, descobertas históricas são super importantes nesse livro. É através delas que Sistu consegue ligar quem ele realmente é ao que ele vai fazer. Os deuses de Atlântida tinham um destino preparado para ele, mas o guerreiro-historiador não quer aceitar jogar nos termos deles… Gostei do modo como o tema de lidar com o passado, seja ele o passado pessoal ou o passado, digamos, nacional, é discutido nesse livro. Principalmente porque não foi associado àquela ideia ingênua de “identidade” mas sim à noção de que com conhecimento, podemos traçar um novo caminho, longe da manipulação.

Para quem gosta de fantasia clássica, é um prato cheio. Okay, o cenário não é o medieval ao qual estamos acostumados, mas Atlântida possui magia, fanáticos religiosos, facções descontentes no império, intrigas políticas, vilões manipuladores, lacaios subversivos, heróis inesperados e deuses enfurecidos. O modo como esses personagens vão se encontrando é o que faz de Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses um ótimo livro.

Ah, lembrando que o livro é de conteúdo adulto. Não só por conta do foco em política, mas também porque há várias cenas de sexo e violência. Então, fiquem avisados.

Fora isso, vão logo ler e não deixem de comentar o que acharam! O livro está disponível em versão física e em ebook. O preço do livro físico pode parecer salgado, mas a edição é super caprichada, uma das mais bonitas que já vi. O papel é amarelo, a fonte é confortável e há detalhes no canto de cada página, além do clássico mapa na primeira página.

Direto na editora: Paypal | PagSeguro

Papel: Travessa Cultura |Comix |FNAC | Saraiva

E-book: Amazon Apple KoboCultura | Google Saraiva |Gato Sabido

E não deixem de acessar a Enciclopédia Oficial de Atlântida.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

4 Responses to “Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses”

  1. Parece interessantíssimo! Aparentemente, possui tudo o que espero encontrar em um bom livro de fantasia, especialmente a construção detalhada do mundo onde a história se passa. E o que mais me chamou a atenção foi o fato de não se passar em um cenário medieval; fiquei bastante curiosa para saber como tudo funciona.

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    • Melissa de Sá

      Laís, é muito legal mesmo. Vale a pena pegar pra ler. 🙂 Se você quer fugir do lugar comum da fantasia medieval, talvez esse seja mesmo seu livro.

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  2. Comprei este livro com a editora draco… ainda não consegui começar, pois minha fila de leitura é imensa… mas aguardo ansioso. Gostaria que desse uma olhada na lista que coloquei em meu blog de 10 livros de fantasia nacional para ler.

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