Desventuras em Série Vol.2 – A Sala dos Répteis

Título: A Sala dos Répteis

Título original: The Reptile Room

Autor: Lemony Snicket

Ano de publicação: 2001 (primeira edição de 1999)

País de origem: Estados Unidos

Tradução: Carlos Sussekind

Editora: Cia das Letras – 184 páginas

Nós já sabemos que os órfãos Baudelaire são as crianças mais azarentas do mundo e que Conde Olaf, um péssimo ator com uma tatuagem em forma de olho no tornozelo, está atrás deles. Lemony Snicket continua em sua tarefa de contar a história dessas crianças e nesse segundo episódio vai narrar (em treze capítulos, claro) a época em que os Baudelaire foram morar com o tio Monty (ou Dr. Montgomery Montgomery). Uma época feliz que acaba em tragédia.

Lembram do post 5 coisas que vocês precisam saber antes de começar a ler Desventuras em Série? Pois é, lá eu falei como Lemony Snicket é um narrador muito irônico e como ele usa a paródia pra criar um efeito de estranhamento na leitura (e esse estranhamento é essencial para que a gente faça uma leitura crítica do livro). Guardem essa ideia: ela é essencial para todos os livros!


Quando foi lançado em paperback (brochura) nos EUA, A Sala dos Répteis ganhou o subtítulo de Murder! (Assassinato!, em português). Um subtítulo muito oportuno uma vez que a grande paródia sendo feita nesse segundo livro é justamente às histórias clássicas de detetives que têm que descobrir um assassinato e provar que estão certos sobre quem é o culpado. Mas como sempre, no final, Lemony Snicket subverte a lógica da coisa toda de um jeito que faz uma crítica forte à nossa sociedade.

A Sala dos Répteis começa com os Baudelaire indo para a casa do tio Monty, que é na verdade um parente incrivelmente distante do pai deles. Chegando lá, eles têm uma agradável temporada com o tio, que é uma pessoa amável e interessante. Os Baudelaire passam a aprender sobre répteis (a especialidade de tio Monty) e juntos os quatro planejam se mudar para o Peru.

A capa brochura com o subtítulo “Assassinato!”. A ideia era fazer uma referência às publicações da era vitoriana.

Mas aí o rumo das coisas muda: tio Monty precisa de um novo assistente e um homem chamado Stephano aparece. As crianças começam a suspeitar que Stephano é na verdade Conde Olaf disfarçado, mas tio Monty não acredita. E aí… bem, aí a desgraça vira desgraça mesmo e um assassinato acontece.

É então que a paródia de livro de detetive/policial acontece: assim como os detetives clássicos dessas histórias (Sherlock Holmes, Poirot, Dupin), os Baudelaire são inteligentes, espertos e capazes de desvendar os mistérios de um assassinato a partir da dedução. Só que a polícia, diferentemente desses livros de detetive, não aceita o que os Baudelaire dizem. E o livro começa a ser lido como uma grande crítica ao sistema de investigação, que despreza o essencial e busca apenas seus próprios interesses.

Existem várias alusões divertidas sobre literatura nesse livro:

  • a cobra da espécie Virginian Wolfsnake, uma referência à escritora Virginia Wolf. Tio Monty mostra a cobra às crianças e diz que elas não deveriam deixá-la perto de uma máquina de escrever. Virginia Wolf é conhecida por seus livros longos, melancólicos e experimentais. Seu livro mais famoso é Sra. Dalloway.
  • O Sr. Poe, preocupado que Sunny esteja sendo atacada pela Víbora Incrivelmente Mortífera, grita o nome de vários deuses e por último diz: “Nathaniel Hawthorne”. Hawthorne é um famoso escritor americano do século 19. Seu livro mais famoso é A Letra Escarlate.
  • Quando Sunny é orientada a morder qualquer um que entrasse pela porta, a frase é: “‘Ackroid!’ Sunny disse, o que provavelmente significava algo como “Roger!” A referência é ao livro policial de Agatha Christie, O Assassinato de Roger Ackroid.

A série continua com O Lago das Sanguessugas.

Para ler os outros posts de Desventuras em Série, clique aqui.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

6 Responses to “Desventuras em Série Vol.2 – A Sala dos Répteis”

  1. De todos os livros que eu li da série (6), esse foi o meu preferido. Eu adorei o Tio Monty, e fiquei tão triste com o que aconteceu, eu já sabia, mas fiquei triste da mesma forma.

    Bjs

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    • Melissa de Sá

      Ju,
      O tio Monty foi o mentor mais legal dos Baudelaire! Mas desde o comecinho, já dá pra saber que vai acontecer alguma coisa ruim com ele… E o pior é que a gente fica triste quando acontece. Affe
      bjs

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  2. Muito interessante a sua análise dessa série. Ela é infanto-juvenil, mas vai além. Quando li era bem mais nova, e confesso que não percebi isso, apesar de ter gostado da maneira como o autor narra a história. Era difícil me segurar para não ler o livro inteiro em um dia só, e agora estou cogitando comprar o volume 12, apesar de seus quase 40 reais (o único volume que falta para a minha coleção) e reler toda a série.

    Também li seu post sobre as 5 coisas que devemos saber antes de ler a série, e agora fico me perguntando se a tal Beatrice, a quem ele dedica os livros, não seria uma alusão à Beatriz de “A Divina Comédia”. Não li “A Divina Comédia”, mas recentemente li “Inferno”, de Dan Brown, que fala muito sobre a obra e citou essa Beatriz como a amada de Dante.

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    • Melissa de Sá

      Laís,
      Pois é, numa primeira leitura a gente não percebe quanta coisa tem nesse livro. É um infanto-juvenil muitíssimo inteligente.
      Eu também lia os livros todos em um dia. hahahahaha Eles são pequenos e rápidos de ler, não dá pra segurar! É uma pena que o preço seja tão salgado… mas pelo menos as edições são bonitas e bem-feitas.
      Sim, realmente, você tem razão: Beatriz é uma referência a Beatriz de Dante. COM CERTEZA! Obrigada, Laís, eu não tinha percebido. 😉
      bjão!

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    • Melissa de Sá

      Camis,
      Já ter todos os livros é meio caminho andado, até porque essa série tem um preço bem salgado. Mas vale a pena ler. São leituras muito rápidas, ideais pra feriados e viagens.
      bjs

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