Outras Mídias: Divergente

Fui ao cinema ver Divergente, sem ter lido o livro de Veronica Roth, e achei o filme até legal, com algumas ressalvas.  Achei que o roteiro não retratou bem a opressão da sociedade distópica e ficou mais nos dramas pessoais de Tris.

Título: Divergente

Título Original: Divergent

Direção: Neil Burger

País de Origem: Estados Unidos

Ano: 2014

Duração: 140 min

Beatrice (Shailene Woodley) pertence à Abnegação, uma parcela da sociedade que vive de forma módica com o único objetivo de ajudar os outros. No entanto, ela sempre teve uma admiração pela Audácia, uma outra parcela da sociedade que se dedica a proteger os outros (e a fazer coisas perigosas como saltar de trens em movimento). A Chicago em que Beatrice vive separa as pessoas por segmentos que privilegiam uma característica (além das citadas acima, existem a Erudição, a Franqueza, a Amizade, etc).  Através de um teste feito aos 16 anos, todos vão para o lugar mais adequado.  O problema com Beatrice é que seu teste é inconclusivo. Ela é uma Divergente, ou seja, pertence a mais de uma facção e ao mesmo tempo, não pertence a nenhuma.

Beatrice decide então ir atrás de seu sonho: Audácia. Para isso, ela abandona sua família (uma vez mudada a facção, você tem que deixar sua família), esconde o resultado de seu teste e se junta à facção criminosa, quer dizer, a facção da adrenalina. A partir de então ela adota o nome Tris e tenta se colocar à prova o tempo todo, uma vez que há um preconceito contra sua facção de origem, Abnegação, pois eles vivem de forma muito simples e ajudam os sem-facção.

O que Tris não esperava era que para se juntar à Audácia é necessário passar por um treinamento longo e árduo e que aqueles que não passarem serão desligados e se tornarão sem-facção. Tris, que não é forte, passa dificuldades no início de seu treinamento que é o básico clichê do policial bonzinho e do policial mau.

O treinador bonzinho é Quatro (Theo James), que apesar da cara de marrento, gosta de ajudar Tris e dá dicas para os aprendizes. O treinador mau é Eric, um cara sádico que gosta de levar os alunos ao limite em tarefas com objetivos duvidosos.

Tris gosta de Quatro. Está na cara desde a primeira cena em que eles se encontram que eles vão ficar juntos. Inclusive, minha irmã disse durante essa primeira cena: “Aí eles vão viver um momento emocionante e tocante quando Quatro vai contar porque, afinal, escolheu o nome Quatro”. E é exatamente isso que acontece.

O casal protagonista: Tris e Quatro.

Meu problema com Divergente foi justamente esse. Tudo que você pensa que vai acontecer, acontece. O relacionamento de Tris com Quatro, a vilã da Erudição, o drama com o irmão, a perseguição da facção Abnegação, as consequências de Tris ser Divergente… dá pra sacar tudo. Isso não faz com que o filme seja automaticamente ruim, só faz com que ele tenha menos surpresas.

A questão é que há muito pouco foco no aspecto distopia da coisa toda. Okay, distopias normalmente privilegiam um personagem principal, mas eu senti falta de entender qual é a grande opressão do sistema de Facções. Existe, claro, a questão da liberdade de escolha, mas eu não consegui realmente sentir porque aquele sistema era tão ruim. Sério.

Quanto ao fato de Divergente ser parecido com Jogos Vorazes: nas primeiras cenas do filme, com Tris na Abnegação, realmente ficou parecido. O figurino e a fotografia pareciam mesmo a cena da colheita em Jogos Vorazes. Mas as diferenças param por aí. A história de Tris é completamente diferente da de Katniss.

Vocês já viram isso em algum lugar? Pois é…

Se eu vou ler o livro? Talvez. Se eu ganhar de presente ou tiver uma super promoção por aí. Se vou ver o segundo filme? Sim, por que não?

Ah, e mais uma coisa: que poster horrível é esse? Não tem nada a ver com o filme além de ter um close ridículo na bunda da Tris. Que patético.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

10 Responses to “Outras Mídias: Divergente”

  1. Adorei a parte que você contou sobre como eu previ a explicação do nome Quatro…hahahha tava na cara né.

    Gostei da resenha! =)

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  2. Mel, adorei tua crítica! Eu já tinha lido o livro, mas senti a mesma coisa – tanto no livro, quanto no filme. Os dois focam demais nos dramas da Tris – e no segundo livro é pior, é drama hard extreme #mimimi. Só no terceiro livro fomos ver mais da distopia mesmo, do mundo ferrado etc.
    É um livro/filme bom pra passar o tempo, mas não é muito profundo. É muito mais drama adolescente.
    Agora, eu acabei de ler uma distopia FANTÁSTICA que, apesar de adolescente, é cheia de reviravoltas, mistérios, governo ferrado e desconfiança. Vou fazer resenha no PEP, mas já deixo aqui a indicação de O Teste. Babei no livro e devorei rapidão. Foi bem surpreendente.

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    • Melissa de Sá

      Ai que preguiça que me deu agora que você falou que o segundo livro é ainda mais mi mi mi. Affe.

      Eu até gostei da Tris como personagem, mas acho que o filme se perdeu totalmente em questões pequenas e deixou de lado os aspectos mais interessantes da distopia. Esse O Teste eu vou ler então. Se você recomendou, eu acredito. 🙂

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  3. Melissa, eu ainda não me animei a ver esse filme ou ler o livro. Esse pôster com close na bunda desanima muito XD, mas o fato é que essa questão das facções não me convence em um primeiro momento, o ser humano é tão diverso que acho que no fim todo mundo seria divergente. Claro que estou falando de uma visão superficial de quem não conhece a história, mas quando você fala que não consegue ver qual é o grande problema da sociedade deles percebi que é mesmo essa coisa da ambientação que me deixa com a pulguinha atrás da orelha.

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    • Melissa de Sá

      Eu lembrei demais de você quando vi esse poster. Ridículo o poster. Não tem nada a ver com a situação do filme e ainda explora sexualmente a figura da Tris.

      Eu também achei a justificativa fraca, Liége. Também acho que o número de Divergentes seria altíssimo. Mas acho que vale a pena você assistir quando sair em DVD, nem que seja apenas pra discutir depois.

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  4. Oi, Mel.
    Acho muito interessante ter a visão sobre um filme de alguém que não leu o livro. Normalmente encontramos comentários das pessoas que fazem uma comparação entre livro e filme, se a adaptação ficou boa, se os atores correspondem à ideia que tinham dos personagens…
    Mas na maioria das vezes esquecemos de analisar se o filme faz sentido para quem não conhece a história! rs…
    Infelizmente a história do primeiro livro se concentra bem mais na vida da Tris do que na distopia em si, mas nos livros seguintes tem mais ação e explicações sobre o lance da opressão… Acho que a ideia é que quem acompanhe a história descubra as coisas na mesma velocidade que a Tris descobre!!
    Eu gostava muito dessa história até ler o último livro, que para mim foi super decepcionante. Então, se não tiver a chance de ler os livros, não acho que estará perdendo muita coisa!
    Beijos
    Camis

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    • Melissa de Sá

      Camila,
      Realmente, a maioria das resenhas que encontrei por aí falam justamente da comparação do livro com o filme. A história fez sentido sim pra que não leu o livro, mas como eu disse, achei que faltou aprofundar um pouco mais… Mas se nos livros são assim também, é, fica mais complicado sair do padrão.
      Eu vi em alguns blogs literários que o terceiro livro foi decepcionante pra muita gente. Que coisa, né? É horrível quando isso acontece com uma série que gostamos.
      bjs

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      • Netto Baggins

        Achei o filme uma adaptação bem fiel do livro. Neste, os dramas da Tris são ainda piores, pois a história é contada quase em primeira pessoa e, pior, narrada com verbos no presente, que deixam uma impressão muito irritante (tipo: “ele está me tocando e sinto um arrepio”, blá, blá). Mas depois que vc se acostuma, dá para ler sem muitos percalços. Além disso, não tem como comparar com Jogos Vorazes pq a linguagem que a Veronica Roth usa é geralmente inferior à da Suzannes Collins. No mais, os três livros são leituras bons para leituras descompromissadas. Mas, ao contrário da maioria, achei o terceiro o melhor, e a resolução, ainda que não tenha sido a ideal (e a que os fãs esperavam), me pegou de surpresa. Por isso recomendo que vc leia e tire suas próprias conclusões, pois o que muita gente detestou no final da série foi o fato da autora não ter entregue exatamente o fim que eles queriam.

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