Outras Mídias: Malévola

Título: Malévola

Título Original: Malificent

Direção: Robert Stromberg

País de Origem: Estados Unidos

Ano: 2014

Duração: 97 min

A versão vilanesca da Disney para o clássico conto de fadas A Bela Adormecida é menos dark do que imaginei, mas não desaponta. Angelina Jolie se agarra ao papel de Malévola e consegue nos levar ao riso e às lágrimas. Um filme interessante e que com certeza vale a pena ser visto nessas férias.

Quando a Disney anunciou esse filme, fiquei imediatamente fisgada. Adoro histórias clássicas contadas a partir da perspectiva dos vilões. Afinal, o vilão é o herói de sua própria história. Conhecer seus motivos a fazer o que faz, entender como a personagem se tornou o que é, é sempre algo que muito me agrada. Mas essa de contar o lado dos vilões não é novidade, claro. Várias histórias já foram por essa via. Uma das mais famosas é Wicked, a versão da Bruxa Malvada do Oeste para o clássico O Mágico de Oz.

Então a Disney se decide por Malévola, com certeza uma das vilãs mais interessantes do panteão. Ela se veste toda de preto, tem chifres, tem um sorriso maligno e tem um corvo como animal de estimação! Fala sério, não tem como dar errado.

Os primeiros trailers venderam um filme dark. A versão da Lana Del Rey para “Once Upon a Dream” é de arrepiar os cabelos. Eu sinceramente esperava um filme puxando para um terror leve, mas encontrei um filme de aventura. Foi uma quebra grande de expectativa, mas achei que Malévola se recuperou bem desse golpe do marketing. É uma aventura completa: com drama, um toque de comédia aqui e ali, boas atuações e, claro, uma personagem principal extremamente cativante.

A Malévola de Angelina Jolie fica muito perto de nós. Conseguimos entender seus anseios, suas dúvidas, sua dor. Isso para mim é essencial em um filme que pretende mostrar o “outro lado da história”. Mesmo que esse roteiro apresente mudanças em relação à história primeiramente apresentada na animação de 1959, é fácil conectar essa Malévola de 2014 com a mulher cadavérica e cruel que povoou nosso imaginário durante a infância. Para mim, reside aí o melhor do filme. Os chavões, o jeito de andar, o sorriso cínico, a risada gélida, o corvo, as roupas. Tudo está lá. Ela é a Malévola que todos aprendemos a temer, mas é também essa nova Malévola que tentamos amar.

O relacionamento dessa vilã heroica com os outros personagens também se desenvolve bem. Meu destaque vai para duas: com Aurora e com Dievo, o corvo. A primeira foi uma surpresa que inicialmente me deixou com pé atrás, mas no final das contas, achei que a resolução foi mais que satisfatória. A segunda foi genial. A relação de Malévola com esse homem-corvo foi muito interessante. A dinâmica deles, de uma amizade inusitada ao longo dos anos, é muito bem construída. Principalmente se levarmos em consideração a questão das asas. Em como Dievo se torna as asas de Malévola, o que faz a cena final do filme ter um significado muito forte.

E vamos às asas. Talvez o grande tema desse filme seja a liberdade. Malévola ama ser livre. Sua relação com suas asas é uma materialização disso. Sem dar spoilers do filme, eu digo que as asas constituem o centro da personagem. A liberdade ou a falta dela é o que move Malévola, seja para o bem ou para o mal.

Mais uma vez, a Disney deixa de lado aqueles velhos clichês do amor romântico e nos mostra mais uma história em mulheres são movidas por outros sentimentos.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

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