Outras Mídias: Academia de Vampiros – O Beijo das Sombras

 Academia de Vampiros entrou para o hall das adaptações mal feitas e sem sentido. A proposta do diretor de criar um misto de Crepúsculo com Meninas Malvadas num colégio interno a la Hogwarts afundou. E feio.

Título: Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras

Título Original: Vampire Academy: Blood Sisters

Direção: Mark Waters

País de Origem: Estados Unidos

Ano: 2014

Duração: 95 min

 Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras nos apresentada às amigas Rose e Lissa. Unidas por algo muito além da amizade, as duas enfrentam não apenas fofocas adolescentes na escola, mas uma verdadeira ameaça à vida de Lissa. Rose, uma futura guardiã, jurou protegê-la não importa o que aconteça, mas a tarefa se torna cada vez mais difícil. Mas todo esse drama fica diluído num filme de roteiro confuso, diálogos irreais e péssimos efeitos especiais.

É sempre complicado assistir um filme de uma série que gostamos muito. Adaptação fílmica é algo que sempre deixa os leitores num misto de ansiedade e medo. Será que vai ficar bom? Será que vão passar a história de um jeito legal? Será que vai rolar?

Quando ouvi dizer que a série bestseller de Richelle Mead, Academia de Vampiros, ia virar filme, fiquei muito empolgada. Vocês sabem que essa série YA é meu guilty pleasure e apesar das capas bregas de doer, eu fico bastante empolgada com ela. A meu ver, um filme tinha tudo para dar certo: a história tem muita ação, mistério e uma pitada de romance. E até agora eu estou tentando entender por que fizeram um filme tão ruim.

Okay, quando a notícia saiu de que Academia de Vampiros só ia ser lançado no Brasil em DVD eu já suspeitava que o filme talvez não fosse tão bom. Principalmente pelo fracasso de bilheteria. Mas existem bons filmes que foram fracassos de bilheteria: John Carter, Perdidos no Espaço, etc. Mas não, esse não é o caso desse filme. Academia de Vampiros é ruim. Mesmo.

A começar pelo roteiro péssimo. A explicação dos vampiros Moroi (os vampiros “bons”) e os Strigoi (os vampiros maus) e a relação deles com os dampiros (os meio-vampiros) não fez sentido algum. Sinceramente, para quem não leu o livro, nada na tela tinha razão de ser. As explicações foram muito superficiais. Por que os dampiros são guardiões? Como assim eles são meio-vampiros? Por que os Moroi não morrem? E bla bla bla. Tudo poderia ter sido explicado em poucas cenas, mas o filme se perde em diálogos inúteis.

E de inúteis, são irreais. Palavras como “fornicação” aparecem o tempo todo e eu fiquei pensando que tipo de adolescente diz “você não devia fornicar”. Okay, pode ter sido um problema de legendagem/dublagem, mas isso ainda não tira a esquisitisse dos diálogos. Um exemplo é quando Rose fala com Dimitri que provavelmente um dia teria que cortar o cabelo, a fim de deixar à mostra suas tatuagens de guardiã. Do nada, Dimitri diz: “Nunca corte o seu cabelo. Você deveria deixá-lo preso”. O quê? Quem diz esse tipo de coisa do nada? E Rose assente com a cabeça como se um cara não tivesse acabado de dar uma ordem dramática sobre um assunto extremamente pessoal.

Esse é o recurso mais batido pra UST (Unresolved Sexual Tension)… E não funcionou.

A relação entre Dimitri e Rose, o grande romance do livro, também não convence. Não há muita química entre os dois nas telas. Na verdade ficamos sabendo que Rose está a fim dele porque ela diz, não porque percebemos. Danila Kozlovsky pode até ser bonito, mas tem a amplitude de atuação de uma colher de chá e por nenhum momento eu senti que Dimitri gostava da Rose. Okay, Dimitri é um cara sério. Mas ser um cara sério e ser uma porta é bem diferente.

E eu poderia discorrer aqui sobre todas as outras cenas que não fizeram sentido, na falta de continuidade do roteiro, dos personagens que são introduzidos fora de hora (Christian, Mia, Natalie, vocês existiram mesmo ou só pularam na tela em horas inapropriadas?), da confusão de reconhecer quem é quem. É praticamente uma aula do que não fazer com os personagens do seu filme…

A única coisa boa no filme inteiro é a atriz Zoey Deutch.

Os efeitos especiais toscos não teriam sido um problema tão grande se o filme não tivesse uma edição/montagem tão tosca. Não tem ritmo. São 1h45min de monotonia. É impossível se envolver na trama e olha que eu já sou fã dessa história. Os irmãos Waters (diretor e roteirista) claramente não sabiam que tom dar à história: sombrio? Cômico? Romântico? Satírico? Adolescente? Tudo isso ao mesmo tempo?

A falta de fotografia também me incomodou. O filme parecia ter sido filmado em HD com uma câmera bacana e assim ficou. Quase não há tratamento de imagem. E só temos closes, closes e mais closes de personagens em diálogos intermináveis. Quase nenhuma cena de transição. Tudo pode ter acontecido em uma semana, alguns meses ou vários anos. Que raio de direção é essa?

Se há um mérito nesse filme, ele é de Zoey Deutch. Pra mim, ela foi uma Rose Hathaway perfeita. Engraçada, bonita e zangada na medida certa. Uma pena o filme ter sido tão horrível.

Sinceramente? Assistam. Mas assistam quando estiverem naquele humor mórbido de querer ver uma coisa ruim e zuar com os amigos. Estourem pipoca, façam brigadeiro de colher e fiquem com o startphone por perto. Você vai precisar.

Obviamente que com as críticas super negativas e o fracasso de bilheteria, não há mais a possibilidade de um segundo filme. Okay, fico triste que a série de Richelle Mead não vá pra frente nas telas, mas me sinto melhor em saber que não vão estragar mais uma história que eu gosto em mais um filme péssimo.




Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

2 Responses to “Outras Mídias: Academia de Vampiros – O Beijo das Sombras”

  1. Puxa, Melissa, é triste quando um livro que gostamos vira uma adaptação horrível (meus sentimentos eram de revolta depois que eu vi A Desolação de Smaug, por exemplo XD). Já pelo trailer a gente percebe a confusão de gêneros que o filme virou e a vontade de transformar o filme em um “Meninas Malvadas” sobrenatural (eu achei a musiquinha bem irritante, aliás!). Mas a atriz que faz a Rose realmente parece bem no papel, ela se destaca no trailer levando as piadas naturalmente e não parecendo entojada ou forçosamente engraçadinha. Coitada! É triste ver um bom artista com potencial mal aproveitado.

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