Academia de Vampiros Vol.6 – Último Sacrifício

Foi um longo caminho até aqui. 6 livros, alguns altos e baixos, várias capas constrangedoras, mas uma história de vampiros instigante. E foi isso que me motivou a continuar lendo todos esses anos (sim, demorei alguns anos rs). Essa vai ser uma resenha um pouco diferente, não diga que não avisei.

Título: Último Sacrifício

Título original: Last Sacrifice

Autor: Richelle Mead

Ano de publicação: 2013

País de origem: Estados Unidos

Tradução: Denia Sad

Editora: Agir –536 páginas

Finais de séries são sempre complicados. Eu pelo menos sempre fico com o maior medo na hora que pego o livro: será que vai dar tudo certo? Tudo vai ser explicado? Vai ser convincente? Com Academia de Vampiros, minha série YA de vampiros adolescentes favorita, não foi diferente. O final foi bom, mas não foi ótimo. Quer saber por quê?

Vamos recapitular! Sem spoilers, juro:

Em O Beijo das Sombras, conhecemos Lissa, uma vampira Moroi e Rose, uma dampira. As duas estudam na escola São Vladimir, que obviamente é uma instituição especial para vampiros. Os Moroi são vampiros vivos: se alimentam de sangue e tudo mais, mas não matam suas vítimas. O sol os incomoda, mas não os destrói, e eles possuem magia ligada aos quatro elementos. Os dampiros são uma raça híbrida de Moroi com humanos (ou de Mori com outros dampiros, os dampiros são estéreis entre si). Eles possuem uma super-força e sentidos mais aguçados que o normal. O sol não é problema para eles e também não se alimentam de sangue, mas os dampiros são normalmente treinados para serem guardiões, protetores dos Moroi.

Isso porque existem os Strigoi, os vampiros mortos. São os Moroi que beberam o sangue de suas vítimas até matá-las ou mesmo humanos e dampiros mordidos por outros Strigoi e transformados. Os Strigoi não têm magia, apenas força e imortalidade. Eles atacam Moroi, dampiros e humanos. Na escola São Vladimir, Lissa e Rose estão protegidas, mas ficamos sabendo logo no começo do livro que elas fugiram da escola por algum motivo misterioso e que tentam se misturar aos humanos. As duas garotas têm uma estranha ligação: Rose é capaz de entrar na mente de Lissa, saber o que ela pensa ou sente. Lissa está aparentemente enlouquecendo por um motivo que não conseguimos entender a princípio e Rose é obcecada por manter Lissa feliz e em segurança.

Aliás, Rose Hathaway é nossa narradora em primeira pessoa. O que pode ser uma coisa boa ou ruim. Ela é esquentada, nervosa e metida a engraçadinha. Em alguns volumes, ela é ótima; em outros, eu tinha vontade de matá-la por ser tão chata. Rose vai se apaixonar por Dimitri (isso não é spoiler, okay?), seu instrutor dampiro, e viver um grande dilema: vamos ficar juntos? Mas somos guardiões! Não podemos e bla bla bla. Vai ter um vilão inesparado e uma luta no fim do livro. Ah, e o segredo da loucura de Lissa será revelado.

Aí vamos para Aura Negra, o segundo livro. De novo na São Vladimir, esse livro vai focar mais no que realmente significa ser uma guardiã. Rose vai sentir na pele o que é ter que por de lado a própria vida para proteger os Moroi. Temos uma boa dose de romance dramático adolescente (com quem namorar? Será que devo namorar? Ai, minha vida é tão difícil e bla bla bla). Esse volume vai dar uma boa lição em Rose. Ah, e conhecemos Adrian nesse livro. Lembre-se do Adrian. Ele é foda.

Pulamos para Tocada pelas Sombras, o volume que acho mais chatinho da série. Isso porque Rose está um saco. É um drama sem fim, um mi mi adolescente que não vai pra lugar nenhum. A parte boa é que entendemos melhor a ligação entre Rose e Lissa, inclusive as consequências que isso tem para Rose (é, entrar na cabeça de alguém não é normal. A gente devia saber). A questão de Lissa e os outros personagens secundários é deixada de lado, o que pra mim é chato, pois eles me pareceram bem mais interessantes que a chata da Rose chorando suas mágoas. O livro se perdoa apenas por um final surpreendente e chocante. É.

Quarto livro, Promessa de Sangue. Um livro um tanto arrastado, mas que mostra Rose e Lissa separadas pela primeira vez. Rose quer cumprir uma promessa que fez a Dimitri e isso a leva a conhecer um mundo inteiramente novo, fora dos muros da São Vladimir. Isso faz com que o leitor conheça as tramas políticas do mundo Moroi, os humanos que sabem de tudo (os alqumistas. Gente, a Sydney é ótima!). Uma pena que o romance Rose e Dimitri seja tão ideal: ninguém merece Rose dizendo que ele lindo, maravilhoso, sexy, forte e um deus (sim, ela fala que ele é um deus) o tempo todo.

Em Laços do Espírito as coisas melhoram significativamente e eu adorei o livro (apesar de Rose ser foda demais às vezes). Os dias de escola acabaram, é hora de conhecer o mundo real. E temos mais tramas políticas e coisas bacanas pra descobrir. Lissa começa a entender melhor seus poderes e Rose fica consideravelmente menos chata. Coisas impressionantes acontecem antes da metade do livro e no final você tem um troço com o que acontece. Mesmo.

O que nos traz ao final da série, Último Sacrifício. O que eu realmente achei? Ai ai ai. Difícil. O livro tem um rítmo irregular: ele começa acelerado, depois fica meio morno e o final, que deveria ser avassalador, não foi. Quer dizer, as últimas cem páginas foram muito ambivalentes: acho que Richelle Mead não conseguiu encontrar um rítmo adequado, o que me deu uma sensação estranha durante a leitura. Fora que o livro é enorme e poderia ter sido facilmente enxugado para no mínimo umas cento e cinquenta páginas a menos.

É uma série com foco no romance e eu sabia disso antes de começar a ler. Mas com tantas questões importantes acontecendo, não achei que a autora iria se prender apenas nisto. A verdade é que tudo se resolveu com uma relativa facilidade (eu já tinha adivinhado pelo menos dois acontecimentos ditos “misteriosos”). Essa invencibilidade de Rose me cansou, finalmente. Como assim ela pode tudo? E pode tudo sozinha?

O romance entre Rose e Dimitri não me convenceu durante a série e certamente não me convenceu no final. Eles são um casal chato, cheio de mi mi mi. #prontofalei A autora tenta nos convencer o tempo todo que eles são feitos um para o outro, que eles são do mesmo jeito, que até pensam da mesma maneira, mas eu nunca consegui sentir isso. Sempre achei uma forçação de barra os dois e o final não mudou minha opinião.

Se eu recomendo? Sim, pra quem gosta de romance sobrenatural, vampiros adolescentes e tudo mais. Pra quem é mais interessado na parte política, em mistérios e afins, não sei se a leitura decola.

Agora é hora dos SPOILERS! (sim, vou comentar o final em detalhes contando tudo, com direito a xingamentos bastante emocionais)

– Dimitri/Rose: ódio mortal – puro e simples. Não engoli aquele final nem nunca vou. Rose dá uma de superior dizendo que Dimitri tem que se perdoar pra eles ficarem juntos? Que m*&% era aquela? Não fez sentido! E ela com inveja dos outros casais juntos e eu lá me perguntando o que realmente impedia que ela ficasse com Dimitri. Aí eu pensei: Adrian? Não! “Você tem que se perdoar?”. Sério, Rose? Affe Casal fail.

– Lissa, rainha dos Moroi: okay, isso dava pra sacar. Desde o livro quatro eu meio que suspeitava que um dia Lissa arrumaria um jeito de ser rainha. Mas eu achei até legal. Gostei das provas, do modo como ela agiu. Foi uma das coisas mais bacanas do livro. Sempre gostei de Lissa e Christian juntos, inclusive. Eles dão um bom casal.

– Adrian: por que ele gostava da Rose? Não consigo entender. Inclusive adorei o final do Adrian nesse livro: amargurado e rancoroso. Nossa, naquela conversa final com a Rose, eu quase queria ter estado lá pra dar uns tabefes na cara dela. Sim, concordo com ele: Rose sempre foi egoísta e destruiu a vida de muita gente. Achei o máximo Richelle Mead não ter dado um final de contos de fada para Adrian, em que ele magicamente encontra uma menina bonita e sensual e começa um relacionamento. A verdade é que para casal bonito que se forma, tem alguém na lama. Nessa série, foi Adrian. Foi comovente, foi real!

– Tasha traidora: okay, até entendi racionalmente, mas achei os motivos meio fracos. Quer dizer, por que matar Tatiana? Eu senti que faltou mais motivação, mais um quê de coisa louca pra um crime e tudo mais. Confesso que inicialmente fiquei surpresa, mas depois achei tudo meio falho. Vocês tiveram essa impressão também?

Fim dos spoilers.

  • A série ganhou um filme esse ano, mas infelizmente ele não emplacou e foi um fracasso de bilheteria. Tem resenha aqui.
  • Existe uma série spin-off de Academia de Vampiros, Bloodlines (Laços de Sangue, no Brasil). Se eu vou ler? Claro! É com Adrian, minha gente. A-D-R-I-A-N!

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

7 Responses to “Academia de Vampiros Vol.6 – Último Sacrifício”

  1. Oi, Mel.
    Que pena que o final foi frustrante para você.
    Acho que esperei tanto por esse último livro que só de ter um final já fiquei feliz!
    Eu sempre torci pela Rose e pelo Dimitri, então não achei ruim não!
    Eu gosto muito do Adrian e por isso estou curtindo muito Bloodlines!
    Beijos
    Camis

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    • Melissa de Sá

      Camis,
      Eu não diria que foi frustrante, mas achei que ele deixou uns buracos, sabe, principalmente nessa questão da Tasha. Quanto a Rose/Dimitri… ah, não sei, não consegui gostar! 🙁
      Pois é, eu to achando que vou gostar bem mais de Bloodlines justamente por causa do Adrian.
      bjs

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  2. Dessa série o que mais gostei foi o quinto volume. Ele quebrou aquela rotina de escola e trouxe muitas reviravoltas. O sexto também achei legal, pois deu continuidade aos dramas políticos. As motivações ficaram um pouco fracas mesmo, creio que o lado da Tasha deveria ter sido melhor explicado. Mas ainda acho que seja a melhor saga adolescente de vampiros.

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    • Melissa de Sá

      Lais, concordo com você: é a melhor saga adolescente de vampiros. É a mais criativa e interessante. O quinto volume é mesmo o melhor da série. Ele é surpreendente. Pra mim o final deixou um pouco a desejar…

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  3. Aline Ramos Costa

    Oi Mell, gostei muito da forma que vc apresentou sua resenha, fazendo uma retrospectiva dos livros anteriores… Eu gostei do ultimo livro, q eu já esperava algumas coisas…confesso que foi uma surpresa o final de Adrian (ainda nãod ecidi se gostei)..mas, concordo com ele, a Rose era egoísta demais em várias ocasições…Ma, essa é uma boa série sobrenatural e eu recomendo…

    bjs e fique com Deus

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    • Melissa de Sá

      Que bom que gostou. Achei que a série realmente merecia uma retrospectiva. Eu gosto bastante da série, apesar do último livro ter me desanimado. Eu gostei do final do Adrian sim. A Rose foi muito egoísta o tempo todo. Ele foi um dos que mais sofreu com as ações dela…

      bjs pra você também!

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  4. Oi Melissa, achei seu blog e estou lendo tudo que acho pela frente, estou gostando muito!
    E Vampire Academy é realmente a melhor série de vampiros pra mim (tanto que li duas vezes, uma em 2011/2012 e outra vez esse ano XD), a segunda é House of Night que não estou atualizada mas gosto muito, mesmo que seja um pouco fútil.

    Adorei o modo que vc escreve e concordo com vc sobre Rose e Dimitri, eles são estranhos juntos por mais que a autora tente nos mostrar ao contrário, mas apenas sobre Dimitri adoro ele, um ótimo personagem. Só não é melhor que o Adrian *——–*
    Ele me lembra um pouco da personalidade do Damon na série The Vampire Diaries que curto bastante tbm..

    E estava lendo uma outra postagem sua, vc realmente tem que ler O Ciclo da Herança, é uma das minhas séries favoritas, apesar que ainda não tive a oportunidade de terminar. Mas a história é muito bem construída e envolvente! Tive sorte que uma vez no submarino tava os 3 primeiros livros por 30 reais, nunca mais vi uma promoção dessas hahahaha

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