O Temor do Sábio (A Crônica do Matador do Rei #2)

Se você ama alta fantasia e personagens incrivelmente reais, então a sua série é A Crônica do Matador de Rei. Que George Martin o quê, Patrick Rothfuss é o cara. Você ri, você chora, você se desespera, você joga o livro na parede de incredulidade, mas pega de volta porque não consegue parar de ler. É até difícil fazer resenha do um livro tão incrível, tão amado. Mas vou tentar.

Título: O Temor do Sábio
Título original: Wise Man’s Fear
Autor: Patrick Rothfuss
Ano de publicação: 2011
País de origem: Estados Unidos
Editora: DAW Books – 1008 páginas (no Brasil, é publicado pela Sextante)

A série começa no livro O Nome do Vento, em que conhecemos Kvothe Sem Sangue, uma lenda viva que decide contar sua história, a verdade nua e crua, para um cronista renomado durante três dias. O Temor do Sábio é o segundo dia e conhecemos a juventude de Kvothe e como ele adquiriu as habilidades que o tornaram legen… * aguarde * dário.

Ganhei uma edição em inglês pocket do livro de Natal (até postei no Instagram! hohoho) e devorei as 1008 páginas em oito dias. Só não li mais rápido porque estava na praia e queria aproveitar o mar (mineiro na praia é assim, gente).

Esse post pode ter pequenos spoilers de O Nome do Vento. Pequenos, mas ainda assim spoilers.

Kvothe já não é mais um adolescente. Na Universidade, ele começa a se tornar um jovem adulto e a vivenciar coisas como tal. Ele ainda é a mente mais brilhante da última geração e com certeza é o músico mais sensacional visto em décadas, mas ainda é um pobre de dezesseis anos que só tem duas camisas.

Sabemos que o maior objetivo da vida de Kvothe é encontrar os Chandrian (um grupo misterioso do qual ninguém nunca fala a não ser em histórias contadas bem baixinho) e vingar a morte de seus pais e sua trupe. Podemos dizer que Patrick Rothfuss finalmente aponta uma direção em relação ao que são os Chandrian nesse livro e ficamos com aquele gostinho desesperado na boca, mas vamos ter que esperar até o volume final para entender quem esses seres misteriosos realmente são. O que é até legal. Eu gostei do suspense em relação ao isso. Me deu um frio na espinha as dicas dadas.

Pela primeira vez vemos Kvothe fora da Universidade e é no “mundo real” que ele aprende duas coisas pelas quais ele seria para sempre lembrado (sabemos isso desde O Nome do Vento, mas não sabíamos como isso aconteceu): seu manejo impressionante com a espada e sua habilidade como amante de tirar o fôlego.

Okay, essa parte do amante me cansou um pouco, confesso. Mas até que faz sentido dentro da história. Kvothe é o único personagem que é tão bom em tudo que faz, mas que ao mesmo tempo é tão humano: ele é inteligente, dedicado, naturalmente habilidoso para quase tudo, mas tem medos, receios, marcas e um ladro negro horrível.

Sim, o lado negro de Kvothe. O homem é realmente sangue frio (ou Sem Sangue). Ele faz coisas horríveis nesse livro e ainda assim não conseguimos deixar de nos identificar com ele. O mesmo homem que toca alaúde tão bem que faz até os mais durões chorarem é aquele também que age sem qualquer piedade. Isso o faz tão humano que não podemos deixar de nos identificar.

Mas o que mais me agrada nesse livro é a ênfase dada ao ato de contar histórias (claro, fiz um mestrado sobre isso! rs). Kvothe quer contar a história como realmente foi, mas acaba descobrindo que isso não é possível. Sua história é sempre marcada por suas impressões, por seus medos, por suas memórias falíveis… Não existe A Verdade. Existem verdades. E estamos lendo a verdade de Kvothe.

Recomendo o livro imensamente para todos que amam alta fantasia. Sim, os volumes são gigantes, mas valem a pena.

O terceiro livro é o final da trilogia e tem o título provisório de The Doors of Stone. Sem previsão de lançamento ainda. * todos choram *

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

9 Responses to “O Temor do Sábio (A Crônica do Matador do Rei #2)”

  1. A Crônica do Matador de Rei é atualmente uma das minhas sagas favoritas. Os livros são tão bons que você até esquece que está lendo. É como o diário de Tom Riddle: te suga para dentro da história e você não consegue sair. Sente que está lá, vivendo a história ao lado de Kvothe.

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    • Melissa de Sá

      Sua mesmo, Laís! Gostei da comparação! hahahahaha A gente nem vê que são quase mil páginas!

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  2. @Heitordealmeida

    Eu li os livros e gostei muito de ambos.
    O segundo foi meio cansativo a parte dele logo após Vintas e antes dele encontrar a Feluriana. Enrola demais e demora demais! O Rothfuss é bom porque ele pega coisas que você já viu em outros lugares, como o garoto prodígio bom em (quase) tudo, e conta uma história de verdade, com emoção de verdade. Acho que é isso que torna os livros dele diferentes.

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    • Melissa de Sá

      Também acho que algumas partes foram mais longas do que deveriam. Essa da partida de Vintas é um ótimo exemplo. Sim, a emoção nos livros é de verdade. A gente se emociona e fica apegado aos personagens.

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  3. Para mim essa é uma das melhores séries inacabadas da atualidade. Acho o modo de escrever do Patrick Rothfuss simplesmente brilhante, ele te conta a estória de um modo fluido e que nem me fez perceber as 900 e tantas páginas desse livro.

    Grande abraço e até a próxima!

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    • Melissa de Sá

      Patrick Rothfuss é tipo um mago da escrita. A gente não consegue não amar aquela história.

      abs

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    • Melissa de Sá

      Eu indico Olam. Tem resenha dele aqui no blog. E também os livros da alemã Cornelia Funke. 🙂

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