Doctor Who: Shada

Vamos falar de coisa boa: vamos falar de Doctor Who. E melhor ainda: vamos falar de Doctor Who escrito por Douglas Adams. Sim, o mesmo de O Guia do Mochileiro das Galáxias. O livro é Shada, uma aventura escrita em 1979 que nunca foi para as telas, mas que é, pelo menos para mim, uma das melhores tramas de Doctor Who!

Título: Shada: A Aventura perdida de Douglas Adams

Título original: Shada: The Lost Adventure by Douglas Adams

Autora: Gareth Roberts

Ano de publicação: 2014

País de origem: Reino Unido

Tradução: Juliana Romeiro

Editora: Suma das Letras – 338 páginas

Em Shada, o Quarto Doutor e sua companheira, Romana II, estão mais uma vez na Inglaterra. Eles vão visitar o Professor, um Senhor do Tempo que se finge de professor universitário humano. Mal sabem eles que Skagra, o ser mais inteligente do universo, está planejando dominar o mundo e o que ele precisa está, claro, em Londres. Sim, Doctor Who!

Esse livro é uma delícia de ler. Eu passei mal de rir dele, me emocionei, fiquei surpresa com as viradas de trama. Sim, temos bicicletas, naves com transtorno de personalidade, gênios psicopatas, velhinhos loucos bebendo chá e muita, muita correria. Shada é Doctor Who com toda a criatividade e ironia de Douglas Adams.

Para quem não sabe, Douglas Adams foi roteirista da série na década de 70, mas por vários motivos – incluindo desavenças criativas – o arco Shada nunca foi para o ar. É até passível de entender. Adams critica de forma pesada o cristianismo e a sociedade britânica da época, de um jeito que talvez fosse demais para Doctor Who daquele tempo, mas não para hoje.

Gareth Roberts escavou o roteiro das cinzas e escreveu o romance Shada, baseado no roteiro televiso, uma grande homenagem a Doctor Who e Douglas Adams. Eu confesso que fiquei surpresa em como o autor conseguiu preservar as características fundamentais de Adams a cada diálogo, mas sem deixar de lado sua própria marca pessoal. Inclusive, Roberts é roteirista da série Doctor Who e escreveu episódios como “Shakespeare’s Code”, “The Unicorn and the Wasp” e “Closing Time”.

Romana II e o Quarto Doutor.

O clima do livro é outro para quem só assistiu Doctor Who pós-2005. Aqui temos vários Senhores do Tempo, várias TARDIS pelo universo. Inclusive a companheira do Doutor, Romana II, é uma Senhora do Tempo. Romana vive em conflito com o Quarto Doutor, o do cachecol gigante, que não deixa passar nada. Os dois vivem brigando, mas Romana não consegue esconder que tem grande admiração por seu companheiro. Ainda na TARDIS temos K-9 (lembram dele? Aparece com Sarah Jane Smith), o cachorro-robô mais fofo do mundo.

Skagra é o grande vilão. Uma mente genial nascida num planeta medíocre, Skagra quer o que todo super vilão quer: dominar o universo. Para isso, ele precisa do Venerável e Ancestral Livro das Leis de Gallifrey. E onde está esse livro? Adivinhem.

Quando acidentalmente o Professor entrega o dito livro para um aluno de pós-graduação sem querer, nossa história começa. Doutor, Romana, K-9, Professor, o tal aluno de pós-graduação, Chris Parsons, e sua namorada super inteligente, Claire Keightley, se vêem como alvos de Skagra que quer tudo para conseguir o livro. Naquele corre-corre e confusão típicos de Doctor Who, essa aventura se desenvolve com muito mistério e comédia.

Mas o que é Shada? Bem, isso é algo que até os Senhores do Tempo parecem ter se esquecido. Mas o lugar invoca medo. Isso é coisa do passado mais negro do povo de Gallifrey. O que Skagra quer fazer lá? Coisa boa não é.

Uma das cenas gravadas para Shada. Mas o arco nunca foi totalmente filmado nem foi ao ar.

Todos os personagens são maravilhosamente bem desenvolvidos. Inclusive o Doutor. Nesse livro me senti realmente próxima a ele, o que foi ótimo. O Quarto Doutor é um dos meus favoritos: ele é bem humorado, mas decidido, meio louco, mas sincero. O resto da turma não deixa a desejar, com destaque para a nave de Skagra que rendeu as maiores risadas do livro inteiro!

Se você é fã de Doctor Who, não pode deixar de ler Shada. Se você é fã de Douglas Adamas, não pode deixar de ler Shada. Se é fã de aventura, também não pode ficar sem ler. Shada é bom demais, gente. Não dá nem pra explicar.

“Não tem como se perder da gente. Somos os que têm a lâmpada piscando no teto.”

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

4 Responses to “Doctor Who: Shada”

  1. Oi, Mel.
    Curiosamente minha último resenha também foi sobre Doctor Who, mas o livro que eu li foi o Mortalha da Lamentação. Ainda sou uma fã novata e preciso aprender mais sobre essa série… Por enquanto só vi episódios pós-2005, mas adorei! Se der, quero ler esse livro também para sentir como era o clima antes! rs… Além disso, adoro o Douglas Adams!
    beijos
    Camis

    Responder
    • Camis,

      Se você é fã de Douglas Adams e tem vontade de conhecer o Doctor Who antigo, acho que esse livro é uma ótima porta de entrada! 🙂

      Pois é, eu vi sua resenha de Muralha da Lamentação! Que coincidência, né?

      bjs

      Responder
  2. Está aí duas duas que eu amo Douglas Adams + Docto Who!!

    Confesso que tenho aqui em casa alguns livros de Docto Who, mas até hoje não dei a devida atenção. Fiquei curiosa para ler essa história, por carregar todas essa coisas boas. Vou colocar o livro na minha cabeceira.

    Bjs

    Responder

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