Transcendence (ou quando a ficção científica não é mais ficção)

Nesse fim de semana assisti Transcendence: A Revolução (por que colocar um subtítulo no filme ao invés de simplesmente traduzir o nome é algo que jamais vou entender). O filme é produzido por Christopher Nolan e estrelado por Johnny Depp. Como assim eu não tinha ouvido falar disso?

Título Original: Transcendence

Direção: Wally Pfister

País de Origem: EUA e Reino Unido

Ano: 2014

Duração: 119 min

Will Caster (Johnny Depp) é um cientista que há anos pesquisa inteligência artificial. Como todo pesquisador, ele se esforça para convencer grandes empresas que seu projeto – a máquina de IA PINN – merece receber recursos. Will procura a singularidade, ou seja, uma máquina que tenha consciência de si mesma. Parece loucura? Pois saiba que agora mesmo cientistas no mundo todo estão fazendo a mesma pesquisa de Will. É, minha gente, ficção científica não é mais coisa de outro mundo.

Eu sempre acho estranho quando as pessoas dizem que ficção científica não tem nada a ver com a realidade. Entrem em choque, pessoas, mas nenhum humano consegue escrever algo que não seja humano. Na FC não é diferente. Nossas ansiedades em relação à morte, ao sentido da vida, ao amor estão todas lá, como estão na história da literatura. Só que extrapoladas. Levadas ao limite.

Um romance realista não consegue discutir as implicações de um ser humano vivendo séculos. A FC nos deixa fazer isso. Só que agora essa ideia não está mais tão distante. A longevidade humana é leva a sério em muitos âmbitos científicos. E para quem ainda acha que isso é impossível, muitos avanços científicos corriqueiros hoje poderiam parecer ficção anos atrás. E talvez por isso Transcendence seja um filme tão impactante. Porque ele está tão perto de nós.

O filme é ambientado no nosso presente. Nada de carros voadores ou naves com gravidade artificial. O maior foco da história é nas relações humanas e, claro, nas relações de humano e máquina. Então nada de hard SF. Espere mais drama e menos explicações científicas. Exatamente o que eu gosto.

Voltando a Transcendence: à medida que a ciência se aproxima cada vez mais da singularidade, grupos terroristas começam a atacar grupos de pesquisa em todo mundo. E é interessante como isso cria um dilema no espectador. Estamos do lado dos terroristas, que querem que o humano seja humano? Ou estamos do lado dos cientistas, que defendem que a evolução humana passa pela inteligência artificial?

Difícil saber.

A esposa e o melhor amigo de Will em seus dilemas éticos.

Tudo fica borrado para nós à medida que o filme avança. Não é possível estabelecer quem está certo ou errado nessa trama. Não dá pra saber quem é mocinho ou vilão. Quando Will Caster se torna alvo dos terroristas e sua esposa, Evelyn, decide que não vai deixar essa mente brilhante morrer, como nos posicionamos?

Uma máquina pode se tornar humana? Um humano pode viver numa máquina? Uma consciência humana numa máquina conectada à internet se tornaria uma espécie de deus, uma vez que seu conhecimento seria ilimitado? O que nos torna humanos? Se uma máquina ama, ela ainda é uma máquina?

Não posso esconder o quanto amo discutir essas questões.

Eu só digo pra vocês assistirem esse filme e tirarem suas próprias conclusões. Não quero dar spoilers, pois é legal sentir todo o impacto. Depois me contem o que acharam.

Mais que recomendado! (e tem no Netflix rs)

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Já aviso que o trailer conta o filme todo. :/

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

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