O que é Young Adult?

Na semana passada o post Por que brasileiros não gostam de literatura de fantasia? bateu todos os recordes do blog. Foram mais de 5 mil compartilhamentos no Facebook em apenas três dias. O que podemos pensar disso? Que há uma necessidade de se discutir literatura de fantasia no Brasil. Os leitores querem fantasia e querem ver a fantasia reconhecida como um gênero sério por essas praias.

Então hoje vamos discutir o subgênero caçulinha da fantasia que é o romance Young Adult, o famoso YA. Para isso, eu trouxe a Karen Alvares, mais que expert no gênero. Karen é colunista do blog Por Essas Páginas e já fez resenhas de vários YAs. Além disso, seu novo livro, Inverso, é um YA brasileiro que se passa em Santos.

Não sabe o que é um YA? Pois eu aposto que você já leu um!

Em primeiro lugar, o que é, afinal de contas, um livro Young Adult?

Young Adult – ou “Jovem Adulto” – são livros com protagonistas com idade entre 14 a 18 anos, ou seja, em idade escolar, mais precisamente no ensino médio, com temas mais sérios e adultos – ao menos na minha definição do conceito. Mas, se você procurar na internet, ela é mais abrangente (de 14 a 21, ou até de 15 a 29). Acho essa faixa grande demais quando se fala na idade dos protagonistas; por outro lado, quando falamos de leitores, já acredito que não exista uma “faixa-etária” para a leitura desse ou daquele livro. Leitura não tem idade. Tenho 28 anos e leio tanto YAs quanto livros adultos, por exemplo.

Mais importante que a idade talvez seja mesmo a diferença entre o YA e o infanto-juvenil (eles definitivamente não são o mesmo gênero): esse último é mais ingênuo, tanto nos temas quanto nos protagonistas. O YA, por sua vez, trata de temas mais adultos: sexualidade, namoro, família, bullying, drogas, doenças e, especialmente, a busca por sua própria identidade.

Ah, e é legal frisar que YA é um gênero que pode ser misturado a outros, portanto temos romances YAs, YAs de terror e suspense, YAs sobrenaturais etc. Há até mesmo YAs policiais!

Qual foi sua primeira experiência com o gênero?

Essa é difícil, a gente lê tanto que até se perde em meio a tantos livros! Mas recorri à minha estante no Skoob e descobri que, sendo bem específica quanto à definição do gênero YA, a primeira obra que li nessa linha foi Jogos Vorazes, de Suzanne Collins. Tudo bem que antes disso li Harry Potter (óbvio!!!), mas não acho que ele seja YA… Afinal, ele começa infantil e só depois de alguns livros os protagonistas, assim como os temas, evoluem. Por isso digo que foi Jogos Vorazes: foi o primeiro livro que eu logo de cara senti o tal “clima YA”. A busca pela identidade, os questionamentos, a questão familiar extremamente forte, os relacionamentos. E digamos que já comecei com os dois pés no peito, afinal, esse livro é uma distopia – e das fortes.

Você resenha muitos YAs no Por Essas Páginas. Dá pra traçar um perfil dos YAs que fazem mais sucesso?

Diria que são os YAs com algum tipo de romance – sempre, mesmo que não seja a coisa mais importante no livro –, mas com distopia, temas sobrenaturais ou doenças. Não foi à toa que em Inverso coloquei três desses temas que mencionei: romance, sobrenatural e doenças – o tal sick-lit. Ops, acho que deixei escapar um spoiler… (não vou contar o que foi, nem de onde foi! rs).

E o YA no Brasil? Existe?

Você pode adquirir aqui.

Existe, mas pouco, muito pouco. Claro que não me atrevo a dizer que conheço todos os livros YAs publicados por aqui, mas só de fazer uma pesquisa rápida por categoria no Por Essas Páginas (mas é bem semelhante se fizer a pesquisa em qualquer outro blog), a diferença entre a quantidade de resenhas para YAs estrangeiros e brasileiros é gritante. Coisa de 90% estrangeiro, 10% brasileiro (talvez menos ainda, acho que estou até sendo generosa na estatística). Posso citar YAs das autoras: Paula Pimenta, Bruna Vieira, Roberta Spindler, Melissa de Sá, Vanessa Bosso e Lycia Barros (e algumas dessas autoras escrevem outros gêneros além do YA, ou escreveram apenas um livro Young Adult). Recentemente pedi para leitura pelo blog o sucesso independente da FML Pepper, Não Pare!, que está sendo publicado agora pela Valentina (e estou curiosíssima para ler!). A Draco também está apostando no gênero com autoras brasileiras: além de Inverso, o meu romance que foi lançado no começo do mês, a editora vai lançar outros três títulos do gênero agora em maio.

Será que não deveríamos traduzir esse nome, Young Adult, pro português?

Se existisse, acredito que a tradução seria mesmo a literal: “Jovem Adulto”. O meu lado brasileira que ama a língua portuguesa gostaria que esse termo traduzido fosse mais utilizado, mas o meu lado leitora e blogueira já se acostumou ao “Young Adult”. Não acho que essa denominação vá mudar a essa altura do campeonato; vai ser difícil as pessoas se acostumarem com outro nome. Mas o importante mesmo, como eu disse lá em cima, é não confundir YA com infanto-juvenil: são gêneros diferentes.

Muita gente confunde YA com NA. Qual a diferença?

Enquanto YA é o Young Adult, o NA é o New Adult. A diferença é que o primeiro tem protagonistas entre 14 a 18 anos, enquanto no segundo os personagens principais teriam mais ou menos entre 19 e 25 anos de idade. O YA aborda temas da adolescência, na escola, enquanto o NA já fala da primeira fase adulta, quando os personagens já estão, por exemplo, na faculdade, e os relacionamentos estão mais sérios e profundos. Temas como trabalho e sexo, de maneira bem mais madura, podem ser abordados num NA. Um bom exemplo de New Adult brasileiro é Clube dos Herdeiros: como nossos pais, da Fabiana Madruga.

Quais são seus YAs favoritos?

Preparados para uma lista? A Culpa é das Estrelas, de John Green; Marina, de Carlos Ruiz Zafón; a trilogia Grisha, de Leigh Bardugo; Brilho e Centelha, de Amy Kathleen Ryan; Todo Dia, de David Levithan; as trilogias Jogos Vorazes, de Suzanne Collins e O Teste, de Joelle Charbonneau; Os 13 Porquês, de Jay Asher e Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz. Ufa!

Conte um pouquinho sobre Inverso, seu primeiro romance no gênero. Como foi se aventurar com o YA e escrever sobre jovens brasileiros numa cidade brasileira?

Você pode adquirir aqui.

Foi muito divertido escrever um YA – e um pouquinho nostálgico também. Sempre tento pensar como meus personagens, me colocar no lugar deles, então foi como voltar no tempo, à minha adolescência. Algumas coisas foram tristes de lembrar e sentir, outras foram maravilhosas. Quis ambientar meu romance em Santos – a minha cidade – dessa vez porque achei que tinha tudo a ver com meus personagens, não consigo vê-los morando em outro lugar; fecho os olhos e vejo Megan e Daniel indo para a escola e passeando juntos de bicicleta, utilizando as ciclovias da cidade, à beira-mar. Pra mim é impossível imaginá-los fora desse cenário.

Inverso é sobre essa garota, Megan, que mesmo alguns anos após a morte da mãe, ainda se sente devastada. Ela teve que amadurecer depressa e acumulou responsabilidades: ajuda o pai no que pode e cuida da irmãzinha mais nova. Por isso, sempre pensou em como as coisas seriam diferentes se sua mãe ainda estivesse viva; é quando ela descobre que do outro lado do espelho enorme do quarto dos seus pais há outro mundo, com uma vida igual à sua – só que ao contrário. Um lugar onde tudo aparentemente é como a vida de Megan deveria ser. Mas, é claro, nem tudo é tão perfeito assim, e Megan agora vai ter que escolher em qual dos dois lados do espelho quer ficar – e lidar com as consequências disso.

Obrigada pela contribuição, Karen! Agora acho que ficou todo mundo ficou mais esclarecido em relação ao YA.

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E vocês? Quais são os YAs favoritos das suas estantes?

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

3 Responses to “O que é Young Adult?”

  1. Adorei! Adoro YA, e confesso que me aborreço um pouquinho quando as pessoas dizem que é infanto-juvenil (já aconteceu de algumas vezes eu entrar numa pequena homilia sobre a diferença. Coitados dos meus ouvintes.), e a diferença aqui está bem clara. Ótimo artigo! E sempre bom ter recomendações de YA brasileiros.

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