Mad Max: Estrada da Fúria é um filme feminista?

Título Original: Mad Max: Fury Road

Direção: George Miller

País de Origem: Austrália

Ano: 2015

Duração: 120 min

Mad Max: Estrada da Fúria tem causado certo furor na internet. Apontado pela Forbes como uma obra-prima do cinema de ação, o filme causou polêmica por conta da personagem Imperatriz Furiosa, interpretada por Charlize Theron. Na Austrália pós-apocalíptica cheia de poeira e deserto, ela divide o protagonismo do filme com o próprio Mad Max. Mas isso faz do filme uma obra feminista?

Vamos à história: Max Rockatansky (interpretado por Tom Hardy) vaga sozinho pelas terras desérticas de um mundo decadente. Atormentado por seu passado (se você assistiu os Mad Max anteriores, sim, aqueles com o Mel Gibson, deve se lembrar por que), ele prefere o isolamento. Mas é capturado pelo grupo de Immortan Joe, um líder que criou uma religião fanática que faz dele próprio o porta-voz da salvação.

Max e Furiosa.

Immortan Joe detém o controle da água na região e oprime as pessoas que dependem dele. Seus filhos vivem sob seu controle, sendo seu exército de motoqueiros e motoristas formado pelos Kamicrazy, rapazes doentes e fanáticos, dispostos a morrer pelo ideal de seu líder.

O grande bem de Immortan Joe num mundo que impõe seu poder sob rodas é a gasolina, mas existe algo mais valioso. E esse bem é roubado por Imperatriz Furiosa.

Furiosa é uma das motoristas de Immortan Joe, mas resolve se rebelar ao desviar um comboio da rota original. Quando Immortan Joe descobre o que ela tirou dele, coloca toda sua frota de guerra atrás dela. O que Furiosa roubou?

Mulheres.

Sim, as mulheres de Immortan Joe. Usadas para produzir filhos e para entretê-lo em seu harém, as cinco mulheres decidem se organizar e, com a ajuda de Furiosa, ir embora da Cidadela para sempre. Elas desejam ser livres e terem uma vida só delas. O mesmo deseja Furiosa.

Imperatriz Furiosa (vale lembrar que o nome em inglês é Imperator Furiosa, sem marca de gênero) é uma personagem incrível. Inicialmente apenas uma mulher bruta sem um dos braços, ela se desenvolve para mais que isso. Furiosa possui uma história, faz escolhas, tem pontos altos e fortes. Ela não é apenas uma chuta-bundas, é uma mulher real com qualidades e defeitos, sonhos e frustrações.

A interpretação de Charlize Theron é sensacional. Consegue nos comover e nos levar por essa história que é sim repleta de cenas de ação, tiros, perseguição de carro e explosões, como manda a cartilha dos filmes de ação, mas que também discute questões importantes como o fanatismo religioso, a alienação e a exploração dos mais fracos.

Como Max e Furiosa se encontram?

Bem, não vou contar que é spoiler, mas digo que os dois dividem a tela como protagonistas. Um ajuda o outro em vários momentos. Não existe Mad Max: Estrada da Fúria sem Max ou sem Furiosa. A história é sobre o momentos em que suas vidas se cruzam.

Eu fiquei maravilhada com esse filme. As cenas de ação são incríveis, me prenderam (sim, eu, a pessoa que dormiu assistindo Transformers 2 por causa de tanta ação), me instigaram. Os diálogos são poucos, mas muito bem construídos. O visual do filme é sensacional. As atuações, mesmo dos personagens secundários, é impecável. E ainda tem mulheres. Um filme de ação que passa facilmente no teste de Bechdel!

As cinco mulheres que Furiosa resgata têm funcionalidade na história. Elas têm nomes. Elas fazem coisas, conversam. São mais que um mero enfeite para o olhar masculino. Eu saí do cinema feliz por ter assistido um filme que me representa.

Então, o filme é feminista?

Se você acredita que feminismo é um movimento que luta por direito iguais entre homens e mulheres e que um filme feminista é aquele em que mulheres e homens são representados igualmente em todas as suas complexidades humanas, então sim, Mad Max: Estrada da Fúria é um filme feminista. E é um excelente filme.

Assistam. Levem seus amigos para assistir.

Várias sociedades de machistas e misóginos ao redor do mundo tentaram boicotar esse filme. Isso é sinal de que o filme tem algo de bom.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

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