MaddAddam

Vocês devem se lembrar dos meus comentários sobre as distopias Oryx e Crake e O Ano do Dilúvio, da sensacional Margaret Atwood. Pois bem, MaddAddam é o volume final dessa trilogia que nos mostra um mundo destruído pelas grandes corporações e pela ciência sem ética.

Título: MaddAddam

Título original: MaddAddam

Autor: Margaret Atwood

Ano de publicação: 2011

País de origem: Canadá

Editora: Nan A. Talese – 416 páginas

Um final que satisfaz, mas ainda prefiro os livros anteriores.

Esse post pode conter spoilers de Oryx e Crake e O Ano do Dilúvio.

Em Oryx e Crake, conhecemos Snowman, o último ser humano vivo. Ele é responsável por cuidar dos Crakers, humanoides de pele azul que se alimentam de plantas e têm estranhos comportamentos. Através de memórias do passado de Snowman, então um jovem chamado Jimmy, entendemos como a humanidade entrou em extinção, que diabos são essas coisas azuis e por que Snowman teve que cuidar delas. Uma mistura de relato de sobrevivência e memorial, Oryx e Crake é um livro brilhante: emotivo, denso e crítico. Jimmy-Snowman é um dos meus personagens favoritos ever.

O Ano do Dilúvio acontece ao mesmo tempo que Oryx e Crake, só que num ponto de vista diferente. Nada de Jimmy e a alta elite da sociedade capitalista. Nesse livro temos Toby e Ren, duas mulheres que também sobreviveram ao apocalipse. Intercalada à narrativa de sobrevivência das duas, temos suas memórias do mundo como era antes: religiões fanáticas, corporativismo brutal e a violência do que sobrou das cidades.

Agora MaddAddam nos conta o que aconteceu depois desses dois livros (sim, você pode lê-los separadamente sem problemas, mas para ler MaddAddam é preciso ler os anteriores). Temos Jimmy-Snowman de volta, assim como Ren e Toby, agora tentando organizar o que sobrou na humanidade enquanto lutam contra outros sobreviventes violentos. O livro intercala essa narrativa do presente com o passado de outro personagem que vimos nos volumes anteriores, mas que sabíamos muito pouco a respeito: Zebb.

Leia também: Ficção especulativa e pós-apocalipse: um pouquinho sobre Oryx e Crake e O Ano do Dilúvio | Resenha de O Conto da Aia| Balanço geral: Jogos Vorazes

Okay, Zebb é um personagem interessante e saber mais sobre ele é legal, mas não me pegou de jeito como Jimmy ou Toby e Ren. Não consegui me conectar a Zebb e as partes do livro em que seu passado era esclarecido (seu envolvimento com fanatismo religioso, terrorismo, espionagem industrial, etc) não me faziam querer continuar lendo o livro.

Na verdade a melhor parte de MaddAddam é mesmo Toby. Ela fica responsável por ensinar alguma coisa aos Crakers que finalmente começam a criar sua própria cultura. De repente aquelas criaturas azuis que são geneticamente modificadas para não acreditar em Deus ou ter pensamento simbólico estão criando suas próprias histórias e costumes. Então começamos a nos perguntar: os Crakers são humanos? Pera, será que aquilo que restou da humanidade ainda é humano?

MaddAddam é um daqueles livros que rende uma ótima rodada de discussão num bar ou numa sala de aula. São tantas perguntas, tantas hipóteses sobre o que nós humanos realmente somos. O que é mais importante para nós, o que é nossa cultura, o que podemos fazer. O pior e o melhor da humanidade fica escancarado nesse livro e enquanto Toby conta suas histórias para os Crakers, nos perguntamos: seremos apenas histórias? Tudo que fizemos e construímos ao longo de milênios: apenas histórias.

Eu chorei no final do livro mais por apelo emocional pela personagem e pela questão do contar de histórias do que qualquer outra coisa. Não é um livro que eu recomendaria para qualquer um, é daqueles que se tem que ler com mente aberta. Na verdade, a maioria das histórias da Atwood é assim.

00Se você, leitor audacioso sem preconceitos que quer ler algo novo e diferente, quiser se aventurar no mundo louco de Margaret Atwood recomendo começar por O Conto da Aia ou mesmo Oryx e Crake. Esse último é um dos meus livros favoritos da vida.

A HBO comprou os direitos de adaptar a trilogia MaddAddam para uma série de TV. Vamos aguardar.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

One Response to “MaddAddam”

  1. Oi, Mel.
    Normalmente eu costumo ser ousada e leio livros não recomendados para a maioria, mas dessa vez vou deixar passar!! Rs…
    Agora nesse final de ano estou procurando livros mais fáceis de digerir!!
    Confesso que estou com preguiça de pensar ultimamente!!
    Quem sabe depois de umas boas férias!! kkkk
    Beijos
    Camis

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