Desventuras em Série Vol.5 – Inferno no Colégio Interno

Já faz um tempo que não venho aqui pra falar de Desventuras em Série: uma das minhas histórias favoritas de todos os tempos! Vocês já sabem que os órfãos Baudelaire são as crianças mais azaradas do mundo inteiro e estão sempre nas mãos de um tutor incompetente enquanto tentam fugir do ambicioso Conde Olaf, que quer roubar sua fortuna. Dessa vez eles vão parar num colégio interno.

Título: Inferno no Colégio Interno

Título original: The Austere Academy

Autor: Lemony Snicket

Ano de publicação: 2002 (primeira edição de 2000)

País de origem: Estados Unidos

Tradução: Carlos Sussekind

Editora: Cia das Letras – 200 páginas

Nada de Hogwarts: em Inferno no Colégio Interno vamos ter uma crítica ferrenha ao aprendizado sem sentido das escolas tradicionais.


Lembra que eu disse a vocês que a história de Desventuras em Série parece repetitiva mas que isso é apenas para fazer uma crítica social? (Você pode lembrar lendo aqui) Já tivemos crítica ao sistema de herança (Mau Começo), à polícia (A Sala dos Répteis), ao conservadorismo (O Lago das Sanguessugas) e ao capitalismo (Serraria Baixo-Astral). Agora temos o sistema educacional.

A escola preparatória Prufrock é um antro de burocracia. Primeiramente os órfãos Baudelaire são forçados a dormir no Barraco dos Órfãos, um lugar horrível, cheio de mofo, e caranguejos bizarros, conforto zero. Isso porque eles são órfãos e portanto não podem levar o formulário de autorização para dormirem nos dormitórios, que tem que ser assinado pelos pais.

O vice-diretor é Nero, um homem perdido numa lógica burra que infelizmente ainda existe em nosso mundo. Para ele, se dar bem na escola é tirar notas altas. Pronto. Ele não vê que a situação dos Baudelaire é diferente e não vê dormir no Barraco dos Órfãos como algo prejudicial. Pelo contrário, Nero acha que está sendo justo pois “todos devem seguir as regras”.

Quando o treinador Genghis aparece dizendo que os órfãos Baudelaire têm “tendências órfãs especiais” e por isso precisam de treinamentos de D.O.R. exaustivos para ficarem em forma, Nero acha normal. Nero é aquele cara da sociedade que acha que tudo está bem, que acredita na meritocracia e que quem se esforçar vai conseguir o que quer. O importante é seguir as regras, não importa quão burras elas sejam.

E ainda tem Carmelita Spats, uma bully insuportável mimida que só quer piorar a vida de todos. Se o diretor Nero se importa? Claro que não! Bullying faz parte da vida e essa coisa de bullying é uma besteira. No passado, não existia isso e tudo mundo se saía muito bem, não?

Mas existe luz no fim do túnel: Klaus, Violet e Sunny conhecem Duncan e Isadora Quagmire, órfãos trigêmios (o irmão Quigley morreu no incêndio que matou seus pais), e ficam instantaneamente amigos. Duncan quer ser jornalista e Isadora é poeta. Juntos, os órfãos acreditam que poderão passar por tudo, mas não é bem assim.

Quem é o conde Olaf disfarçado do livro? A incompetência e burocracia do vice-diretor Nero vai atrapalhar tudo? E Carmelita Spats é mesmo tão insuportável quanto parece?

Leiam o livro e fiquem atentos às diversas críticas que ele apresenta. Ah, e não se esqueça de rir das piadinhas do irônico narrador Lemony Snicket!

Curiosidades:

  • Os nomes Duncan e Isadora são uma referência a Isadora Duncan, uma das criadoras da dança moderna nos Estados Unidos.
  • Nero é o nome do imperador romano que botou fogo em Roma. Mas Nero também fazia seus súditos assistirem a longas peças escritas e interpretadas por ele mesmo. O vice-diretor Nero aqui faz recitais de violino.
  • Quando Isadora diz que escreve poesia, Sunny grita “Sappho” e todos acham que é sua língua de bebê, mas é na verdade uma referência à poeta grega de mesmo nome.

 

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

4 Responses to “Desventuras em Série Vol.5 – Inferno no Colégio Interno”

  1. Oi, Mel.
    Eu li somente o primeiro livro dessa série e depois acabei me esquecendo dela.
    Não que eu não tenha gostado, mas essa vida de blogueira às vezes atrapalha a vida da leitora!! rs…
    Muitas vezes me vejo ‘presa’ aos livros de parceria e acabo ficando sem tempo para ler alguns livros que estão parados na estante! Nesse ano quero reduzir minhas parcerias para poder dar conta disso! kkkk
    beijos
    Camis

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  2. Aguardando desventuradamente e ansiosamente o fim das resenhas. Elas Captam Sem Comodidade a essência da vida dos órfãos Baudelaire (e, obviamente, de Lemony Snicket).
    Respeitosamente,
    G br e .

    Responder

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