Limbo

Esse livro estava na minha lista desde sempre. Fiquei sabendo dele nas minhas escavações à procura de bons nacionais e depois que incidentalmente ganhei um marcador do autor na Bienal, achei que os deuses da literatura estavam alinhados. Pois bem, Limbo não decepcionou, apesar de ser uma leitura muito diferente do que eu imaginava. Mas de um jeito bom.

Título: Limbo

Autoras: Thiago de D’Evecque

Ano de publicação: 2014

País de origem: Brasil

Editora: Independente – 165 páginas

O apocalipse está sobre a Terra: guerras, destruição, dor. Os humanos mais uma vez estão à beira do fim. É então que um espírito acorda no limbo sem memória de quem é ou foi, mas com uma missão clara: escolher doze almas e mandá-las de volta ao plano dos vivos, para que possam dar uma chance para a humanidade. Mas nem todos querem voltar, o que torna a missão mais complicada do que parece.

O limbo é tradicionalmente a região para onde vão os espíritos não batizados segundo a religião cristã. Mas o limbo de Thiago D’Evecque traz também anjos condenados, deuses esquecidos além das almas que já morreram. Limbo é uma miscelânea muitíssimo interessante de várias culturas e mitologias, como a japonesa, européia, árabe, além de uma reinvenção da mítica guerra no céu, quando Lúcifer se rebelou.

O protagonista do livro é alguém que não sabe quem é. Acordado para uma missão, ele sequer consegue discernir suas próprias feições. Movido apenas por um senso de dever, aos poucos esse personagem misterioso começa a descobrir mais sobre quem é, ou melhor, o que foi antes de ser mandado para o limbo.

Essa foi a minha parte favorita do livro inteiro. Achei genial e me surpreendi com as decisões corajosas do autor ao criar esse protagonista misterioso. É inquietante não saber quem estamos acompanhando nos primeiros capítulos, mas no final, vale a pena toda aquela escuridão. Não vou falar mais para não dar spoiler.

A primeira alma escolhida para salvar a Terra por nosso protagonista é Azazel, o anjo ferreiro. E já é com Azazel que começamos a colher pedaços da história, que inclui a guerra no céu que mencionei acima. Após uma luta, Azazel aceita seu destino para retornar à terra numa nova vida, mas deixa com o protagonista uma espada bastante inusitada.

Um deus antigo e esquecido vive nela e os diálogos de nosso personagem principal com ele são bastante interessantes. Cacá, como é batizado, pois seu nome é impronunciável, reclama o tempo todo, mas é através dele que vamos entendendo melhor como pensa e no que acredita nosso protagonista.

As onze almas se seguem numa jornada longa e difícil, mas não espere uma aventura cheia de ação. Temos cenas de batalha? Sim. Temos brigas? Sim. Mas a trama se desenvolve de uma forma diferente. Há muita narração, como uma história antiga. Inclusive essa é a impressão que temos ao ler Limbo: que estamos lendo uma parte esquecida de algum mito há muito perdido.

Claro, imagino que essa é a intenção do autor Thiago D’Evecque, e ele consegue executar muito bem. No entanto, esse tipo de narrativa tem um entrave que é deixar a história mais lenta. Isso não me incomoda, particularmente, e acho que vale para sustentar o clima para revelação final.

Há várias referências durante o livro todo: desde a Bíblia até Lovecraft, passando por ícones da cultura pop de videogames e filmes. Parte da graça da leitura está justamente em ir desvendando essas menções inusitadas nesse universo rico e intrigante.

Se você curtiu A Batalha do Apocalipse, vai gostar de Limbo. Eu recomendo o esse livro para todos que gostam de mitologias ou simplesmente para quem é curioso e não tem medo de encarar uma leitura diferente. Com certeza vou ler mais livros do autor.

E vou parar por aqui porque estou me contendo para não sair por aí comentando os spoilers surpreendentes. Leiam o livro, pessoas! Você pode comprar Limbo clicando aqui.

Melissa é escritora, blogueira e fica hiperativa com açúcar. Tem contos publicados em antologias das editoras Draco, Buriti e Cata-vento além de trabalhos independentes na Amazon. É autora do livro infantil A Última Tourada.

http://mundomel.com.br

 

5 Responses to “Limbo”

  1. Já li o livro, gostei bastante também, especialmente por ele ter esse formato diferente, com capítulos que formam padrões, mas ao mesmo tempo mostram coisas diferentes conforme a história avança. Sem contar a capa linda e a excelente escrita e revisão, que dá orgulho da nossa literatura independente!

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